novembro 01, 2008

Modos de viver a aposentação, aos 66 anos de idade







Fui na quinta feira , 30, à Assembleia., aonde já não ia há meses sem conta.
Valeu a pena, porque, além de ncontrar as pessoas que procurava e outras também simpáticas, daquelas que se saúdam em 30 agradáveis segundos, pude ver uma exposição sobre José Relvas, com retratos de Malhoa, Columbano e outros. De encher os olhos! Como galeria de arte, a nossa Ar não deixa de nos surpreender...

Óptimo para quem não tem saudades do hemiciclo, agora em obras. Não há, porém, obras que o possam tornar mais atractivo para mim. Não posso dizer, como o Malato:"Jà fui muito feliz ali". Não fui, nem deixei de ser. Acho que nunca tive demasiadas oportunidades de dizer o que me ia na alma - o que possivelmente foi um bem, para os poderes constituidos, e, se calhar, até para mim. De qualquer modo, falar dos ou pelos emigrantes, que foi o que eu sempre tentei fazer, não é nunca tema capaz de prender atenções e de entusiasmar plateias. O termo pode soar a irreverência, mas eu costumava dizer coisa pior: que pouco era o tempo que podia "desperdiçar"no plenário ( a marcar presença, preocupada com os requerimentos ao governo, os relatórios para o Conselho da Europa, os artigos sobre as comunidades, os telefonemas por fazer, os faxes por enviar, a organização de deslocações próximas futuras e muitas outras coisas a desenvolver sozinha, sem secretariado - realidade só admissível num parlamento de 3º ou 4º mundo...), mas que, quando a pressão abrandava, e eu me sentava, sem pensar nas agruras da agenda, e gozando, enfim, o "espectáculo", me sentia tão bem como no "Parque Meyer"...

A verdade é que, nos meus longos anos de deputada, os melhores tempos foram aqueles em que, por dever de ofício, estive a muitas milhas do hemiciclo, ou nas "comunidades" ou nas reuniões da APCE ( a Asembleia Parlamentar do Conselho da Europa) .
E só essa parte do meu trabalho, de que , de facto, sinto falta, me levou a protelar por tanto tempo, a decisão de mudar de rumo.
Quando mudei, nas alegres eleições antecipadas de 2005, dando "lugar aos novos", já era tarde para alguns dos projectos entretanto adiados. Não para outros, que continuam, reconheço, a ser demais...

2 comentários:

Maria Manuela Aguiar disse...

Tento recordar o primeiro dia na AR, e nada! Não deixou marca.Recordo,indistintamente, os primeiros tempos e os primeiros debates - sem conseguir destacar nenhum. Os debates, provocados pelo especialista de emigração do PCP, um ex- emigrante no Brasil, que atacava, de uma forma continuada e aguerrida as políticas dos governos do PSD(ou melhor, da AD), o próximo passado e o então actual. Até que comecei a conversar com ele, cordialmente, nos corredores, e a agradecer-lhe a maneira eficaz com que me estava ajudando a fazer o "tirocínio" parlamentar... E ele abrandou... De qualquer modo, a minha reputação estava adquirida, naquele teatro de guerra, embora noutros zurzisse, de vez em quando, o meu incrível sucessor, o famoso e formoso Vitorino, histórico fundador do PSD-Algarve, e grande adepto de Balsemão, a quem devia a disparatada nomeação para o cargo. Não tinha para ele nem vocação, nem "feeling" e dizia sempre a coisa errada. Constava que tinha querido as Pescas. E,em vez de "Raquel lhe deram Lia"...

Manuela Aguiar disse...

Mas que belo modo de viver a aposentação:
USAR AS NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO para comunicar, conviver, contar histórias, enfim partilhar uma grande história de vida...
Deixas-nos cheios de orgulho por contares as tuas vivências e histórias(da família ou da política)usando esta e outras aplicações da Web... É uma lição de vida para muitos "jovens info-excluídos".
PARABÉNS MADRINHA!
Manelinha