setembro 04, 2009

UM ENCONTRO PARA CONTINUAR

PRIMEIRO E SINTÉTICO BALANÇO
O ” Encontro em Espinho - Cidadãs em Diáspora” trouxe a Portugal representantes dos “Encontros para a Cidadania – A Igualdade entre Mulheres e Homens”, que se realizaram, de 2005 a 2009, sucessivamente, em Buenos Aires, Estocolmo, Toronto, Joanesburgo e Berkeley, e retomou muitos dos temas aí tratados.
Em diálogo, estiveram as participantes, que desempenharam o papel de “porta -voz” de cada uma dessas reuniões regionais, e muitos investigadores, académicos, nomes prestigiados dos vários ramos da ciência que se cruzam no domínio das migrações – uma verdadeira “cimeira de especialistas”! – e emigrantes ou ex- emigrantes, defensores dos direitos dos estrangeiros, dirigentes associativos das diásporas lusófonas ( não só de Portugal, mas também de Moçambique, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné, de Angola), políticos, os deputados José Cesário e Carlos Páscoa e o antigo deputado Carlos Luíz, autarcas nortenhos, altos funcionários, com destaque para a nova Directora Regional dos Açores Drª Rita Machado Dias, professores de português, a Presidente e alunos da “Universidade Sénior” de Espinho, e – coisa invulgar e deveras gratificante para nós - várias dezenas de estudantes das Escolas secundárias da cidade.
A Associação Mulher Migrante iniciou com esta organização as comemorações do seu 15º aniversário de constante actividade. Contou, uma vez mais, com a parceria da Fundação Pró Dignitate, através da Presidente Drª Maria Barroso, do Centro de Estudos das Migrações e Relações Internacionais e da Universidade Aberta, com o apoio da Câmara de Espinho e do seu Presidente José Mota, o patrocínio da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas , e o interesse e estímulo decisivos do Secretário de Estado Dr. António Braga.
Como é habitual nas realizações desta Associação, as migrações, numa perspectiva global e não especificamente “feminina”, estiveram no centro do debate, mas com as mulheres no lugar que neste domínio é o seu, com a visibilidade que lhes é negada, quase sempre, noutros “meetings” ou “fora”. De facto, o percurso da metade feminina da nossa emigração tem sido, em regra, desvalorizado, desde logo porque é muito menos estudado do que o do homem e esta é uma das formas de discriminação, que ainda subsiste, como tive oportunidade de dizer, na sessão de abertura.
E é também inegável que, apesar da evolução a que vimos assistindo, sobretudo no continente norte americano, no sentido de uma sua participação cívica mais igualitária, há ainda um défice de oportunidades – de presença, de opinião, de palavra, de influência… - que a afasta das instâncias de decisão e de poder, sobretudo a nível da comunidade portuguesa. E do movimento associativo, que tanto precisa de se renovar, alargando a base de sustentação, e ganhando um suplemento de ânimo, que ela poderá garantir-lhe. Este é, a nosso ver, um objectivo comum a todos, independentemente do “género” ou da geração, e um requisito da vida em sociedade e em democracia.
Foi, pois, a Mulher como Cidadã, e Cidadã de duas Pátrias, pelas quais reparte a sua vivência, que procuramos reconhecer, na emigração - que, para ela se tornou, tanto ou mais do que para o Homem, um caminho de auto-afirmação e auto-confiança, assim como promover a sua maior participação na vida colectiva. E o certo é que, nas comunicações e nos debates, destes dois dias intensos, passados em Espinho, foi emergindo, não só um novo paradigma de intervenção feminina nas comunidades do estrangeiro, mas também um novo perfil de mulher-emigrante: jovem, independente, mais qualificada, que parte à procura de valorização profissional, sozinha, ou com o marido, em pé de igualdade, desde a primeira hora.
Falámos muito de uma realidade de que, tradicionalmente, salvo em situação de crise pontual, se fala tão pouco nos “media” e no discurso político em Portugal, como afirmou o Prof. Eduardo Vitor Rodrigues, na última e inesquecível conferência do "Encontro": a de um movimento de saída que aumentou tremendamente, desde o começo do século. Quase em exclusivo para a Europa (Inglaterra, Irlanda, Espanha…) embora no actual clima de depressão económica , pareça procurar, de novo, os destinos longínquos, em África, ou, pelo menos, em Angola, o promissor país lusófono, agora em paz e em processo de reconstrução.
É cedo para fazer o balanço final de um “Encontro” tão rico de ensinamentos e de experiências partilhadas. Esperamos que ele se traduza em iniciativas múltiplas, que iremos contabilizando.
De uma temos já a certeza: a criação, na comunidade de Pretória, de uma “Universidade Sénior” seguindo o modelo da de Espinho. Garantia dada, durante os trabalhos, pela representante da África do Sul, a dinâmica Manuela da Rosa, fundadora da “Liga da Mulher” e antiga conselheira do CCP.
Vozes muito influentes foram, igualmente, as das representantes dos outros “Encontros para a Cidadania”: Maria Violante Martins, actual presidente da Associação da Mulher Migrante Portuguesa da Argentina, e Claudia Ferreira, do Rio de Janeiro, (no painel sobre os “Media”, ela que é uma "radialista" de sucesso, com programa no ar há muitos anos) pela América do Sul, Maria Amélia Paiva, Cônsul – Geral em Toronto, antiga Presidente da Comissão para a Igualdade, uma maiores especialistas portuguesas neste domínio, pelo Canadá, Deolinda Adão, professora da Universidade de Berkeley e uma "autoridade", no que respeita ao associativismo feminino da Califórnia, pelos EUA, e Isabel Oliveira, a mais jovem de todas, uma brilhante investigadora (do CNRS) e professora em Paris (Sorbonne), pela Europa.

Todavia, o “Encontro em Espinho” não terminou ainda – vai continuar, ao longo deste ano do 15º aniversário da “Mulher Migrante”. Para já, através do blog, que antecedeu e acompanhou o “Encontro” e continua aberto, como repositório de informação, pronto a aceitar novos contributos.
No segundo semestre de 2009, vamos editar os dados nele contidos e apresentar a publicação, em modelo de "seminário", que permita novos debate sobre as ideias, as recomendações e as conclusões desta nossa iniciativa - ou melhor, desta série de iniciativas, com as quais queremos contribuir para melhor conhecer e dar a conhecer a realidade da migrações, femininas e não só, no tempo presente.

agosto 07, 2009

COMUNICAÇÕES MANUELA AGUIAR Um Encontro para continuar




NB + completo in BIBLIOTECA



Um Encontro para continuar

PRIMEIRO E SINTÉTICO BALANÇO
O ” Encontro em Espinho - Cidadãs em Diáspora” trouxe a Portugal representantes dos “Encontros para a Cidadania – A Igualdade entre Mulheres e Homens”, que se realizaram, de 2005 a 2009, sucessivamente, em Buenos Aires, Estocolmo, Toronto, Joanesburgo e Berkeley, e retomou muitos dos temas aí tratados.
Em diálogo, estiveram as participantes, que desempenharam o papel de “porta -voz” de cada uma dessas reuniões regionais, e muitos investigadores, académicos, nomes prestigiados dos vários ramos da ciência que se cruzam no domínio das migrações – uma verdadeira “cimeira de especialistas”! – e emigrantes ou ex- emigrantes, defensores dos direitos dos estrangeiros, dirigentes associativos das diásporas lusófonas ( não só de Portugal, mas também de Moçambique, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné, de Angola), políticos, os deputados José Cesário e Carlos Páscoa e o antigo deputado Carlos Luíz, autarcas nortenhos, altos funcionários, com destaque para a nova Directora Regional dos Açores Drª Rita Machado Dias, professores de português, a Presidente e alunos da “Universidade Sénior” de Espinho, e – coisa invulgar e deveras gratificante para nós - várias dezenas de estudantes das Escolas secundárias da cidade.A Associação Mulher Migrante iniciou com esta organização as comemorações do seu 15º aniversário de constante actividade.Contou, uma vez mais, com a parceria da Fundação Pró Dignitate, através da Presidente Drª Maria Barroso, do Centro de Estudos das Migrações e Relações Internacionais e da Universidade Aberta, com o apoio da Câmara de Espinho e do seu Presidente José Mota, o patrocínio da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas , e o interesse e estímulo decisivos do Secretário de Estado Dr. António Braga.Como é habitual nas realizações desta Associação, as migrações, numa perspectiva global e não especificamente “feminina”, estiveram no centro do debate, mas com as mulheres no lugar que neste domínio é o seu, com a visibilidade que lhes é negada, quase sempre, noutros “meetings” ou “fora”.De facto, o percurso da metade feminina da nossa emigração tem sido, em regra, desvalorizado, desde logo porque é muito menos estudado do que o do homem e esta é uma das formas de discriminação, que ainda subsiste, como tive oportunidade de dizer, na sessão de abertura. E é também inegável que, apesar da evolução a que vimos assistindo, sobretudo no continente norte americano, no sentido de uma sua participação cívica mais igualitária, há ainda um défice de oportunidades – de presença, de opinião, de palavra, de influência… - que a afasta das instâncias de decisão e de poder, sobretudo a nível da comunidade portuguesa. E do movimento associativo, que tanto precisa de se renovar, alargando a base de sustentação, e ganhando um suplemento de ânimo, que ela poderá garantir-lhe.Este é, a nosso ver, um objectivo comum a todos, independentemente do “género” ou da geração, e um requisito da vida em sociedade e em democracia.Foi, pois, a Mulher como Cidadã, e Cidadã de duas Pátrias, pelas quais reparte a sua vivência, que procuramos reconhecer, na emigração - que, para ela se tornou, tanto ou mais do que para o Homem, um caminho de auto-afirmação e auto-confiança, assim como promover a sua maior participação na vida colectiva. E o certo é que, nas comunicações e nos debates, destes dois dias intensos, passados em Espinho, foi emergindo, não só um novo paradigma de intervenção feminina nas comunidades do estrangeiro, mas também um novo perfil de mulher-emigrante: jovem, independente, mais qualificada, que parte à procura de valorização profissional, sozinha, ou com o marido, em pé de igualdade, desde a primeira hora.Falámos muito de uma realidade de que, tradicionalmente, salvo em situação de crise pontual, se fala tão pouco nos “media” e no discurso político em Portugal, como afirmou o Prof. Eduardo Vitor Rodrigues, na última e inesquecível conferência do "Encontro": a de um movimento de saída que aumentou tremendamente, desde o começo do século. Quase em exclusivo para a Europa (Inglaterra, Irlanda, Espanha…) embora no actual clima de depressão económica , pareça procurar, de novo, os destinos longínquos, em África, ou, pelo menos, em Angola, o promissor país lusófono, agora em paz e em processo de reconstrução.É cedo para fazer o balanço final de um “Encontro” tão rico de ensinamentos e de experiências partilhadas. Esperamos que ele se traduza em iniciativas múltiplas, que iremos contabilizando. De uma temos já a certeza: a criação, na comunidade de Pretória, de uma “Universidade Sénior” seguindo o modelo da de Espinho. Garantia dada, durante os trabalhos, pela representante da África do Sul, a dinâmica Manuela da Rosa, fundadora da “Liga da Mulher” e antiga conselheira do CCP. Vozes muito influentes foram, igualmente, as das representantes dos outros “Encontros para a Cidadania”: Maria Violante Martins, actual presidente da Associação da Mulher Migrante Portuguesa da Argentina, e Claudia Ferreira, do Rio de Janeiro, (no painel sobre os “Media”, ela que é uma "radialista" de sucesso, com programa no ar há muitos anos) pela América do Sul, Maria Amélia Paiva, Cônsul – Geral em Toronto, antiga Presidente da Comissão para a Igualdade, uma maiores especialistas portuguesas neste domínio, pelo Canadá, Deolinda Adão, professora da Universidade de Berkeley e uma "autoridade", no que respeita ao associativismo feminino da Califórnia, pelos EUA, e Isabel Oliveira, a mais jovem de todas, uma brilhante investigadora (do CNRS) e professora em Paris (Sorbonne), pela Europa.
Todavia, o “Encontro em Espinho” não terminou ainda – vai continuar, ao longo deste ano do 15º aniversário da “Mulher Migrante”.Para já, através do blog, que antecedeu e acompanhou o “Encontro” e continua aberto, como repositório de informação, pronto a aceitar novos contributos. No segundo semestre de 2009, vamos editar os dados nele contidos e apresentar a publicação, em modelo de "seminário", que permita novos debate sobre as ideias, as recomendações e as conclusões desta nossa iniciativa - ou melhor, desta série de iniciativas, com as quais queremos contribuir para melhor conhecer e dar a conhecer a realidade da migrações, femininas e não só, no tempo presente.
Manuela Aguiar

1 comentários:
elsa noronha disse...
Desejo participar neste Blog,ainda não me movimento bem em blogs.
O encontro de Espinho em 07/e 08/03/09 foi muito bom, é pena que não haja mais mulheres migrantes a partilhar estas iniciativas, cujas vivências são importantes para todas nós.

Elsa Noronha (declamadora)
19 de Abril de 2009



Manuela Aguiar O lugar da Mulher no movimento associativo do estrangeiro


Drª MANUELA AGUIAR O Lugar das Mulheres no Movimento Associativo do Estrangeiro
“Uma vez que a democracia está ferida de grandes injustiças e imperfeições, até na medida em que beneficia e valoriza ainda na modelo masculino de poder, pode por isso dizer-se que está em crise”.Maria Barroso1 – A Dra. Maria Barroso e a Embaixadora Anita Gradin, que co-presidem ao “Encontro” de Estocolmo, são feministas, como eu o sou e todos os que identificam humanismo e feminismo, definido como o humanismo centrado na “questão de género”.Temos consciência de que as discriminações contra as Mulheres persistem em Estados democráticos, na esfera política, na organização e funcionamento administrativo do Estado, nas ONG’s, e, muito particularmente, naquelas de que vamos falar, as que compõem o movimento associativo da “Diáspora”. Quase todos de rosto masculino. A começar no Brasil e a acabar em França, que lhe sucedeu, na segunda metade do século XX, como a meta principal da nossa emigração.Diga-se, porém, que, ainda que “invisíveis” nos Centros de poder formal, as mulheres quase sempre estiveram presentes no esforço de consolidação das instituições – a seu modo… Segregação houve (e há), frequentemente reproduzindo modelos importados do círculo familiar: por exemplo, entregando às mulheres o trabalho de bastidores (que, às vezes vai ao ponto de decidir a própria programação cultural, mas mais, frequentemente, se confina à cozinha e arranjo e decoração das salas), essencial para o sucesso e suporte material de centros e clubes sociais.Um curioso afloramento deste fenómeno de aproveitamento dos saberes das mulheres, na sua veste mais tradicional – trazendo-os do interior da casa para o exterior, na colectividade – é a criação de “departamento femininos”, “comissões femininas”, “comités de damas” (em países hispânicos) ou de “senhoras auxiliares”.Caracterizam-se, essencialmente, por agir na órbita de direcções, em geral, cem por cento masculinas, com incumbências como as que acabamos de referir.A meu ver, não há nada de errado nesse aproveitamento de talentos úteis.Errado, é o facto de traduzir, na prática, um acantonamento: desse lado da organização não se transita para outras funções, para o núcleo directivo, para a presidência das associações, mesmo que haja querer e capacidade para tanto.Estamos perante um círculo regido por códigos velhos, por modos de relacionamento entre os sexos imobilistas e preconceituosos.A abertura ao que é “moderno” ou “estrangeiro” limita-se, a aspectos protocolares: a mulher do presidente assume-se como a “primeira-dama” da instituição (assim mesmo, com esta designação, que na Europa começamos a adoptar, mas no que respeita à presidência da República…)Eu, acho que o “título” prestigia os “titulares” e com isso nos devemos congratular. Muitas delas conseguem, realmente, dar-lhe conteúdo, ganhando prestígio e influência. Devemos, por isso, de reconhecer e apreciar a sua particular forma de exercício da cidadania, porque, afinal, também o é.Criticável é, sim, a ideia da complementaridade rígida de tarefas, avessa à concepção da igualdade dos sexos e em contraste com o percurso das mulheres fora da sua comunidade “étnica”.No Brasil, por exemplo, onde o associativismo mais do que centenário não tem praticamente líderes femininas, as portuguesas sobressaem na sociedade e na política brasileiras, na segunda metade do século XX: são portuguesas a primeira secretária de Estado do Rio de Janeiro (Manuela dos Santos, médica, ex-conselheira do CCP) e a primeira deputada à Assembleia Legislativa do Estado de S. Paulo (Ruth Escobar, feminista, actriz, produtora de teatro).Também no associativismo luso-brasileiro, de feição mais “brasileira”, “elas” têm tido sucesso: lembro a Eng.ª Fernanda Ramos, primeira presidente mundial do Elos Clube ou a actual presidente da Câmara do Comércio Luso-Brasileiro de Minas Gerais.Do mesmo modo, na Europa, nomeadamente em França, julgo eu as nossas emigrantes têm sabido aproveitar a nível profissional, oportunidades que não diferem das dos homens, mas permanecem em lugares secundários nas organizações das comunidades. Sim ou Não? Espero a vossa resposta…É mais no Norte da América que se vêm desenhando gradualmente a tendência para a igualdade, sobretudo, nas iniciativas de jovens.Aí, sobretudo, na Califórnia até a tradição tem uma influência positiva.As primeiras organizações de mulheres portuguesas datam do final de oitocentos: a “Sociedade Rainha Santa Isabel” e a “União Portuguesa Protectora do Estado da Califórnia”.Ambas criadas nos arredores de S. Francisco, rapidamente se ramificaram do norte a sul do Estado e foram autênticas escolas de acção cívica e de solidariedade, num tempo em que as mulheres não gozavam de direitos políticos, nem de igualdade de direitos civis, não podendo sequer dispor livremente dos seus bens – o que torna espantosa a adesão que granjearam.Foi uma singular aventura no espaço da emigração lusófona, que arrancou com 30 mulheres de Oackland, unidas numa pequena confraria de altar de uma igreja comunitária.A “Sociedade Rainha Santa Isabel” e a “UPPC” integravam-se no movimento mutualista e tornaram-se grandes companhias seguradoras, ocupando um lugar de topo no conjunto de sociedades fraternais, com mais de uma dezena de milhar de membros!Uma matriz, que inspirou a acção da mulher emigrante e não só nos EUA.Pergunto-vos se aceitam ainda hoje esta dicotomia entre um “associativismo feminino”, centrado por excelência, no domínio da solidariedade e assistência social e uma participação no “associativismo misto, motivada, essencialmente, pela luta por valores culturais (teatro, música, folclore), do ensino da língua e da história e pela integração na nova sociedade.2 - Estas são considerações de ordem genérica e na falta de investigação e de dados recolhidos de forma sistemática, é de prever que vão surgindo nichos de evolução que desconhecemos, e outros a que não se vem atribuindo o devido relevo.Será o caso do folclore, que pela própria natureza das coisas, da sua prática é paritário. E não só no que respeita aos executantes da dança, mas ensaiadores e dirigentes.Nas antípodas, está o desporto. Acontece também no nosso País: é um espaço de discriminação feminina, que nem sequer é vista como tal…A discriminação, porém, não acontece apenas nesse domínio. "No poder" permanecem ainda, maioritariamente, os emigrantes da década de 50 e 60, a quem se fica a dever a esplêndida dimensão alcançada nas instituições que herdaram do passado, nomeadamente no Brasil e EUA, ou que formaram em “novos destinos” da Europa, África, Canadá, Venezuela.Interrogo-me e interrogo-vos sobre se será justo ou proveitoso tentar abrir caminhos à igualdade, em clima de guerra de sexos ou de gerações.Eu julgo que é preciso encontrar alternativas…Não há uma única saída, mas várias, para antecipar o advento da mudança.O envelhecimento dos líderes tradicionais, formas várias de declínio dos sustentáculos de um mundo conservador, carência de candidatos, a provocar crises directivas – ainda não generalizadas - nas associações, podem constituir vias de acesso ao dirigismo, naturais e consensuais, para mulheres e jovens.Assim o queiram!Por isso, agora é o tempo certo de tomar consciência das novas realidades e de mobilizar estes grupos, que têm estado tão marginalizados.Acreditamos que é preciso e é urgente apelar à sua participação – é esse o objectivo que aqui nos reúne.Uma outra via de solução é ainda, a meu ver, o associativismo feminino. Vejamos alguns dos melhores exemplos da sua face actual:A Beneficência das Damas Portuguesas de CaracasNasceu de simples encontros de amigas, incentivadas pela Embaixatriz Teixeira de Sampayo. Organizavam festas, feiras de artesanato, leilões e, com meios inicialmente modestos, ajudavam mães e crianças de bairros degradados, através de cuidados médicos e de enfermagem, subsídios, bolsas de estudo.Actualmente são grandes entre as grandes instituições congéneres. Acabam de construir o que é possivelmente o maior, o mais funcional lar geriátrico em todo o espaço da nossa “Diáspora”.A Liga da Mulher na África do SulManuela Rosa, antiga conselheira das comunidades presidiu durante tempo à “Liga da Mulher”, uma das primeiras “federações” existentes a nível de um país, com a preocupação de valorizar a intervenção das mulheres, através de formação profissional, da chamada a debates e à ajuda e combate às carências sentidas na comunidade.A Associação de Mulher Migrante Portuguesa na ArgentinaÉ a mais recente. Tem apenas 7 anos. Veio preencher a lacuna que o encerramento do Hospital da Beneficência deixara sem solução.Numa conjuntura política e económica adversa, verdadeiramente dramática para muitos portugueses, substituiu-se à inércia de dois Estados: o nosso, sempre distante e indiferente à dimensão da crise ali vivida, não atribuía sequer o pequeno subsídio do “ASIC”, a pretexto de que existia na Argentina uma pensão mínima; o argentino, então próximo do caos, não satisfazia pensão nenhuma…Por si sós, estas portuguesas socorreram dezenas de famílias empobrecidas. Ganharam o respeito e o apoio decisivo de sucessivos Embaixadores de Portugal, em Buenos Aires.Souberam encontrar um lugar no movimento associativo, mostrando que há oportunidades para as mulheres fazerem coisas importantes e prioritárias, com aceitação geral.As explicações de um tão extraordinário e súbito êxito serão várias: a qualidade e o empenho pessoal, certamente, e, talvez, o facto de muitas serem, se não dirigentes, mulheres dos directores, que, até aí, mal se conheciam e não colaboravam entre si, mas estavam "por dentro" nas diversas associações .Tudo mudou com uma simples acção, de mobilização, uma primeira reunião, uma conversa informal, um “brainstorming”, em quepude participar. Depois foi o trabalho comum, as realizações quotidianas, no terreno, através das quais ganharam confiança em si e se impuseram aos olhos da comunidade, com a evidência da obra feita.3 – Da Europa não falarei mais.Estão aqui as companheiras de ideais que podem dar-nos a lição, da sua experiência – e marcar as diferenças a analogias em relação às situações vividas em outros continentes.Para facilitar a comparação, referirei ainda exemplos de ascensão de mulheres portuguesas no movimento associativo tradicional:O emblemático “Clube Português” de Buenos Aires tem pela primeira vez uma Presidente, que acaba de ser reeleita.O mesmo acontece na segunda maior comunidade portuguesa, a da Argentina, em Comodoro Rivadávia, no sul da patagónia: Alice Amado é a presidente da quase centenária Sociedade Beneficente, que se distingue também na área cultural e social.No Uruguai, o rancho folclórico, ex-líbris da “Casa de Portugal” é liderado por Josefa Panasco, asturiana, esposa e mãe de portugueses.Em Toronto, o clube pioneiro (o “First”) teve a sua primeira presidente ainda na década de 80. Por altura do cinquentenário da chegada dos emigrantes portugueses ao Canadá (2003), oito das maiores associações luso-canadianas e as duas universitárias (Universidades de York e Toronto) eram encabeçadas por mulheres!Em Montreal, o Clube mais antigo já tem a sua primeira presidente. O mesmo se diga do “Carrefour Lusophone”, uma associação de jovens.Na Comunidade “Kristang” de Malaca, duas irmãs, Joan e Celine Marbeck, vêm lutando, incansavelmente, pela preservação da “herança portuguesa” do “creoulo”, da história, do folclore, da gastronomia.No Equador, na Ilha de Vancouver, na Namíbia, na Austrália, há agora um número crescente de mulheres à frente de associações, escolas, grupos folclóricos e outros relevantes projectos culturais das nossas comunidades.4 – Estaremos no princípio do fim da discriminação de género?Se assim for, qual o futuro do “associativismo feminino”? Quando o "poder" for, de facto, partilhado por ambos os sexos na vida comunitária, veremos os homens a ingressar nas organizações formadas por mulheres?Isso aconteceu já, diga-se, na maioria das sociedades fraternais femininas da Califórnia.Vivemos, sem dúvida, um período de transição.Antever a igualdade no futuro não será já uma utopia irrealista, mas uma bem fundada esperança, a exigir a nossa acção concreta.Janeiro de 2007Maria Manuela Aguiar

julho 22, 2009

2006 O livro sobre as Portuguesas do Rio

Um livro, que é uma raridade, porque não está à venda.
Está nas mãos das mulheres que nele participaram.
Eu tenho apenas um exemplar - porque, de algum modo, participei, promovendo a ideia, inialmente, e fazendo um prefácio - "ganhei" o direito a tê-lo na minha estante.
Mas acho, evidentemente, que o mérito é de quem executou e contribuiu com a história da sua vida.
Escrevi o pequeno artigo, que aqui transcrevo, para "dar o seu a seu dono".

julho 12, 2009

UM ADEUS EUROPEU AOS LIBERAIS

O episódio já está contado, neste blogue.

Refiro-me à patética mudança do PPD/PSD do "Grupo Liberal e Reformista" para o "PPE" (que era e, agora, é de novo o do CDS, onde o CDS está obviamente com mais "a propósito" e coerência do que nós...).
RUSSEL, Lord Russel Johnston, era, então o presidente dos Liberais, e um grande presidente. E, também, como já escrevi grande amigo dos Portugueses, em especial do Pedro Roseta e de mim.
Acabo de encontrar o documento em que se alude à ruptura política, à metamorfose de um PSD, que, quando aderiu ao G Liberal com algumas reservas ou pruridos ideológicos, no tempo de Sá Carneiro, depois de ter sido "candidato" rejeitado à Internacional Socialista - porque se considerava social-democrata - até exigiu que se acrescentasse ao "liberal"o ambíguo qualificativo " reformista", baralhando os espíritos europeus cultos, que conotam reformismo com religião, mais do que com política...

Encontrei esta circular do GLR, em que esta "transição" é referida, simpaticamente, para o Pedro e para mim, que sempre ocupamos lugares de representação, acção e prestígio num Grupo, com o qual nos identificavamos...

julho 11, 2009

NO MUNDO AZUL

O meu mundo é azul e branco.
Foi sempre e sempre vai ser.
Aconteça o que acontecer.
Até rima e é exacto! Como disse na entrevista ao "Mundo Azul". Falámos horas, sobre o meu tema favorito - o meu Clube. (Clube, Pátria e Família!).
Encontrámo-nos, a directora da revista, Filomena Pinto da Costa, a jornalista Mónica Monteiro, o fotógrafo Rui Russo e eu, e conversámos, descontraidamente, no Guarani, um dos cafés da minha infância.
Estava, como diria Eça, "um calor de ananases", e muito vento (quente, claro!). Só saímos para tirar fotografias, o mais perto possível, mas, por perto, não faltavam símbolos e monumentos da cidade. A torre dos Clérigos, toda a Praça, a própria Câmara - essa Câmara do Porto agora, estranhamente, fechada ao FCP...
Foi uma tarde muito bem passada. Imagino o trabalho que deu, particularmente à Mónica, fazer a indispensável selecção de matérias, depois de eu tanto me ter dispersado... Muito bem feita, diga-se!
A revista é uma aposta pessoal, ganha por Filomena Pinto da Costa, para nos mostrar um FCP, que cresce não só em curriculum desportivo, mas também enquanto fenómeno social e cultural. O "Mundo Azul" procura dar-nos, nas suas páginas, esta outra dimensão.
Por isso, aceitei, com entusiamo, a ideia de dizer coisas sinceras e verdadeiras, ainda que, algumas, porventura, politicamente incorrectas, sobre a minha forma própria de viver o "portismo".



julho 08, 2009

Praia, em tempo de lufa-lufa

Encontram-se de férias, em Espinho, a Teresa, o João Miguel e a Madalena.

Decidi, pois, fazer coincidir o meu início da época de banhos com a estada deles. Por isto, quero significar, apenas, uma rápida passagem por areia e mar, pela manhã (melhor seria ao fim da tarde, mas a nortada não o permite...).

Ainda não consegui encontra-los na baía. Ora não estão no lugar, ou no tempo certo. Hoje terão ido para a Granja.

Regressei prontamente a casa, ao trabalho, rodeada de gatos.

Trbalho pesado: duas publicações, ou mesmo três .

Uma, que pendia, desde 2003, e que já teve várias coordenações. Todas pararam, logo de início. Não há nada feito, além da transcrição das "cassettes"...

Outra, ou outras, do "Encontro em Espinho", de Março último. São, ne realidade duas: as comunicações e so textos do blogue.

Ah! E, há, ainda, a transcrição dos diálogos da "Tertúlia", que decorreu na Biblioteca, durante o dito Encontro.

Parece que não, mas é um trabalhão! Chego ao fim do dia e está ainda quase tudo por fazer. Demora...

julho 05, 2009

Três consecutivas acções, em fundo azul e branco

Na 6ª feira, foi a Assembleia Geral extraordinária da casa do FCP de Espinho, que tive de presidir, porque o mandato só termina com a posse da nova mesa de Assembleia. E, até 13 de Junho, não houve candidatos.
Reunião animadora! Parece que dali terá saido uma nova dinâmica para formar listas de dirigentes para o próximo biénio. Foram pouco mais de 60 minutos de diálogo, que terão conseguido o que em alguns meses não fora possível. Isto é, encontrar voluntários para dar continuidade a 10 anos de vida de uma bela "Casa" como o presidente Julio Lemos informou, previamente, em entrevista à "Defesa de Espinho".
No sábado, um excelente convívio com os dragões de Terras de Santa Maria, em Paços de Brandão, para festejar o TETRA. Fui às 6.00, com o colega do Conselho de Delegações e Filiais do FCP, Júlio Marques.
Uma sardinhada a preceito, com sardinhas deliciosamente frescas, de Espinho. Muita música portista, animação e toda a esperança no PENTA.
E hoje, em Matosinhos, o final da Taça do Mundo de Bilhar, onde o Porto brilha sempre, com a liderança de Alípio Jorge, o presidente do Conselho de Delegações.
Estou já de partida!

julho 01, 2009

Ciclos das nossas migrações sem fim

1 - O semanário "O emigrante - Mundo Português" está a celebrar o seu 40º aniversário, contando a história das nossas migrações, segundo as notícias e os comentários contidos nas suas páginas. Através de um interessante trabalho de síntese jornalística.
Acabo de receber o "Mundo" desta semana, que recorda os tempos do governo do "bloco central" , alicerçado no bom entendimento de Mário Soares e de Mota Pinto e na necessidade de equilibrar as contas públicas. Problema recorrente, não? Com uma diferença: é que, então, com Hernani Lopes nas Finanças conseguimos, realmente, atingir o objectivo...
No que respeita à emigração, refere-se a proximidade da adesão à CEE, o regresso crescente dos portugueses da Europa e a actividade do Conselho das Comunidades (CCP).
Se tivesse de escolher, entre os possíveis, aqueles temas que dominaram esses anos, os últimos em que estive no Governo, com o pelouro das comunidades portuguesas, não escolheria outros - ou pelo menos, mesmo que lhes juntasse mais algum, mante-los-ia, sempre, no topo da minha selecção pessoal...
O regresso, porque constituia, uma realidade, complexa, multifacetada, imparável, embora globalmente, útil para o país e para a grande maioria dos próprios retornados, e, em simultâneo, a memória, o mito ou o medo de um outro regresso, ainda recente, maciço, dramático, traumatizante, para os portugueses que vieram e para os que estavam: a fuga de África, um imenso desperdício dos bens e empreendimentos que ficaram lá, sem aproveitar a ninguém.
Impossível imaginar dois movimentos mais diversos, ainda que na mesma direcção geográfica, este pequeno rectângulo continental!
Difícil, talvez por isso, explicar a diferença, olhar as pessoas envolvidas, conhecer os seus propósitos, e, com isso, serenar os ânimos de políticos e de cidadãos. Claro que a "media" (a genérica, a nacional, não, como é evidente, a mais sensível às questões da emigração, alimentou o "fantasma" no imaginário colectivo, não ajudou nada ao esclarecimento das especificidades do que estava a acontecer e até do que já tinha acontecido (o regresso que tinha acontecido, como a prosa , que o Sr. Jourdain fazia, sem saber). Salvo raras excepções, então como agora, a emigração é assunto que só lhes interessa em caso de desastre ou de escândalo - sendo bastante úteis, quando o desastre e o escândalo são verídicos.
Ora o regresso da Europa, nos anos 80, era praticamente desprovido, em absoluto, desse colorido, e houve que o "fabricar" !
Não encontro outra razão para a incapacidade de compreenderem o que, por mim e por alguns outros, lhes era, constantemente, explicado. Foi a consultar as minhas pastas de "recortes" de imprensa, que me dei conta do fenómeno: das perguntas repetitivas, das respostas que era preciso dar incontáveis vezes. Entrevistas. Comunicados. Desmentidos. Desconfiança. Críticas.
Eu sei que, normalmente não se acredita nos políticos, sobretudo quando o seu discurso é positivo. Há até boas razões para a desconfiança.
Mas neste caso, o que eu estava a dizer era a pura da verdade (verdade, essa palavra "fétiche" do actual PSD "manuelino", da Manuela Ferreira Leite).
Verdade verdadeira!
Essa geração de portugueses preparou a volta a casa, com cuidado, paulatinamente. Passava as férias por cá, mantinha o contacto com a terra e a vizinhança, enviava as remessas, comprava campos e negócios. Sabia ao que vinha. Vinha quando queria, não quando queriam os governos do país de origem ou do país de acolhimento.
Os incentivos oferecidos por alguns destes países foram muito bem aproveitados. Permitiram antecipar a decisão já tomada, ou concretiza-la, no prazo previsto, com mais fundos ao dispôr.
Preocupante foi, sim, o caso especial da Alemanha onde, antes do período da adesão à CEE, se tornou possível levantar as contribuições da segurança social (apenas a parte descontada pelo trabalhador...), com perda do direito a pensão de reforma. Era um bom negócio só para a Segurança Social alemã, mas como convencer disso os interessados em receber uma substancial soma de marcos, que lhes parecia caída do céu? Em todo o caso, comecei a aperceber-me, nos contactos pessoais, de que, numa família, normalmente, apenas um dos cônjuges pedia o reembolso das contribuições e o outro conservava o direito à pensão futura. Do mal, o menos...
E foi, sobretudo, por causa disto que os emigrantes da Alemanha regressaram, em peso, antes da data da adesão portuguesa à Comunidade Europeia, que, obviamente, impossibilitava esta prática aberrante.
De França, nesta altura, a maioria dos retornos já estava concluida. Há muito era esse o meu "feeling", mas, em 1984, os estudos da equipa da Prof.ª Manuela Silva vieram comprová-lo, com a força de números impressionantes (meio milhão de regressos no passado próximo, previsão de mais 400.00 até à década de 90). Corroborados por outro grupo de investigadores, coordenados pelo Prof. Sousa Ferreira (com números ainda mais dilatados)...
2 - A entrada do País na Comunidade era vista como o meio ideal de consolidar o estatuto dos emigrantes, com os novos direitos de cidadania europeia, e de garantir a liberdade de circulação.
E foi bem preparada, julgo eu, dentro das possibilidades de que dispunhamos, dos orçamentos exíguos que nos estavam destinados - contra os quais eu protestei sempre, conseguindo, com isso, ser corrida do governo uma vez (do governo Balsemão), ou, talvez, duas (junte-se-lhe, com um ponto de interrogação, o governo Cavaco - dúvida decorrente do facto de eu me ter recusado a continuar na área da emigração, até como deputada, inviabilizando qualquer futuro convite para me manter na SECP, sem ter, porém, ideia sobre se quereriam, ou não, renovar convite nesse sentido...).
A livre circulação não serviu de muito, nos tempos que se seguiram. Mas tem servido, e de que maneira, desde fins do século passado e início do actual. Ainda que sem visibilidade - porque sem drama, nem escândalo, de que se constroi a notícia... - o novo êxodo é, atrevo-me a afima-lo, quantitativamente, do ordem de grandeza da "emigração a salto", nos anos 60.
3 - O CCP era, para mim, de uma importância crucial, para abrir as comunidades a uma co-participação nas políticas que lhs são dirigidas.
Em nenhum outro sector ou segmento de população faz tanto sentido ouvir e seguir as pessoas, porque as comunidades do estrangeiro se construiram com a vontade e o esforço delas, sem apoio significativo do Estado. São "Nação", sem "Estado"...
E bem deve o Estado, que em nada contribuiu para a sua existência, ir agora (então, e agora), ao seu encontro, potenciando a sua própria acção, assim como a acção delas (das comunidades organizadas, com as sua instituições, projectos, dinamismo, portuguesismo).
Esse primeiro CCP era, nesta perspectiva, naturalmente, de natureza associativa. Eleito, mas dentro de um "colégio eleitoral"formado por ONGs. Incluindo a "media".
4 - Inesperada, mas nem por isso descabida, a referência, às declarações do Bispo de Bragança, que disse, muito claramente, a um auditório de emigrantes e férias, não sei se por estas ou outras palavras, igualmente inequívocas: "Mandar dinheiro para Portugal é o mesmo que pô-lo em saco roto".
Por mim, eu não tinha respondido. Mas fui mandatada pelo governo para responder...
Eu conto, proximamente, com mais pormenor, em forma de comentário...

junho 28, 2009

GALA dos TALENTOS

Uma bela festa de reconhecimento dos talentos da Diáspora, transmitida, em directo, para todo o mundo, através de uma impecável transmissão da RTP1 e dos seus canais internacionais.
Ocasião para rever bons amigos e para com eles confraternizar, sem "problemas de consciência", porque, como Vice-Presidente do júri, presidido pela Drª Maria Barroso, não tive de fazer nenhuma escolha, isto é, de votar ou desempatar votações. O "embaraço da escolha", como, em francês, diriam os franceses, ficou inteiramente a cargo dos juris sectoriais, cada um deles composto por 3 personalidades de relevo, num determinado domínio.
O Canadá, com seis nomeações e três vencedores, foi destaque!
Por sinal, todos velhos amigos. Por isso, digo: que bom não ter nada a ver com a dacisão e poder festejá-la com eles, à vontade.
E, no final, depois da cerimónia muito formal, como é devido, voltar aos bons tempos de conversa heterodoxa com o Malato, com a serena Marta Leite Castro , ao lado, lembrando o imcomparável programa para o "País inteiro, sem esquecer a emigração", que foi o primeiro "Portugal no Coração", o que nasceu e cresceu - tão surpreendentemente bem! - nos estúdios nortenhos do "Monte da Virgem".
Algumas, poucas, fotos, da minha máquina, que deixa muito a desejar...

junho 24, 2009

DUAS EM UMA: ELEIÇÃO E SONDAGEM

Novo "record" de abstenção foi batido nos círculos da emigração, nestas eleições para o Parlamento Europeu (PE) - mais de 97%.

Nada de muito surpreendente, porque os partidos concorrentes se "abstiveram", por seu lado, totalmente, de fazer campanha no estrangeiro. E, a tanto desinteresse, só pode um eleitorado assim completamente marginalizado responder com o mesmo desinteresse. Estamos caídos num círculo vicioso...

O declínio acentua-se, como as estatísticas o demonstram, no modo de votação presencial - caso das "presidenciais" e das "europeias". Ao que julgo, por ser maior a dificuldade prática de a exercer, provocada pelas distâncias a que muitos portugueses se encontram dos consulados, sobretudo nas comunidades transoceânicas. Mas não só: também pela indiferença dos candidatos. Particularmente chocante nas "presidenciais", porque alguém que aspira a ser PR devia dar exemplos de solidariedade e de vontade de aproximação a todos os concidadãos, por igual. Até hoje, bem vistas as coisas, nenhum o soube ou o quis fazer.
Nas primeiras eleições, foi o descaso total. Nem contacto pessoal, nem "mailing", nem sequer nomeação de mandatários, na maioria das áreas consulares.
Nas segundas, houve candidatos que realizaram viagens-relâmpago a duas ou três comunidades, das mais concentradas, vistas, porventura, como as mais rentáveis, em termos de apoios. Foi escasso esforço...
Do lado dos partidos, idêntica atitude, não tanto nas "legislativas", mas , como está à vista de todos, nestas "europeias": não se investe, onde se considera que não vale a pena. É a pura e simples "caça ao voto", sem o espírito cívico e a componente idealista, que deviam estar, e não estão, no centro da vida pública.
Só na escolha de deputados, que pode, eventualmente, fazer ou desfazer uma maioria parlamentar, julgam útil preparar informação, com um propósito mobilizador (pelo menos um colorido desdobravel, com princípios programáticos, meia dúzia de promessas e de compromissos, as fotos dos líderes e dos cabeças de lista - mensagens, que enviam, pelo correio, aos cidadãos constantes dos cadernos eleitorais). Custa uns milhares largos de euros, mas é uma obrigação que os maiores partidos vão cumprindo, conscientes de que não há alternativa de comunicação eficaz com a generalidade dos portugueses dispersos pelo mundo afora.
E não há mesmo, muito embora outras formas de esclarecimento e incentivo a possam complementar. Recordo, por exemplo, as palestras, e os debates promovidos, aquando das primeiras participações dos portugueses residentes em França nas "autárquicas" desse país, pelo José Machado, como conselheiro do CCP e dirigente federativo, assim como os cartazes e panfletos, amplamentente difundidos pelas associações, a incitar ao exercócio da cidadania. Eu própria, ao tempo, deputada, estive lá, em muitas dessas reuniões.
Quem pode, agora, afirmar que procedeu do mesmo modo?
Fica, sim, a sensação de que se as listas concorrentes ao PE "abandonaram" a emigração, e, que, pelo seu lado, as nossas autoridades, o CCP, o movimento associativo não contribuiram suficientemente para colmatar a lacuna.


II - Era esta a primeira vez que os emigrantes do círculo "Fora da Europa" votavam, na qualidade de "cidadãos europeus", que são e sempre foram, desde a adesão de Portugal, ainda que muitos o ignorem - com o mesmo estatuto e as mesmas prerrogativas dos que vivem no território da "União", no que respeita a livre circulação, a criação de empresas, à procura de emprego ou à fixação de residência no território de qualquer dos Estados membros e, a partir de agora, com o direito de voto no PE.
Pena que não os tenham, suficientemente, informado do significado e importância do acto, depois de mais de duas décadas de exclusão - devida, afinal, a um veto do PR, com envio para o Tribunal Constitucional do diploma com que o Governo (de Cavaco Silva), logo após a adesão à CEE, procurou dar-lhes a plena cidadania europeia .
A declaração de inconstitucionalidade foi aprovada por maioria, com este argumento principal: a Constitutição só concederia aos emigrantes, a título de excepção, um "voto de menor peso", sem aplicação do princípio geral da proporcionalidade, pelo método de Hondt (e para eleger apenas quatro deputados, divididos por dois círculos próprios).
A meu ver, fraco argumento, que caiu por terra no preciso momento em que foi reconhecido aos emigrantes, em 1997, o sufrágio na eleição presidencial, em círculo único, pelo método de Hondt...
A questão, entre nós, foi sempre mais política do que jurídica.
Do ponto de vista do Direito, a razão porque o Tratado constitutivo da CEE deixou a atribuição do voto nas "europeias" ao arbítrio dos Estados membros foi a do respeito pela coerência interna das diversas ordens jurídicas - há países que a encaram diferentemente, permitindo ou vedando a participação política dos expatriados, face à realidade histórica e actual da sua "diáspora", em alguns muito forte e com grandes ligações à terra de origem, ao contrário do que em outros se verifica.
Todavia, em regra, ou a aceitam em eleições nacionais e europeias e nacionais, como é comum , da Espanha à França ou Alemanha, ou a rejeitam em ambos os casos, como é tradição nórdica.
O que não fazia sentido era a originalidade portuguesa de consentir o "mais", o sufrágio para os nossos orgãos de soberania, e proibir o "menos", a eleição dos representantes numa instituição, que ainda nem sequer é, apesar do progressivo aumento das suas competências, um verdadeiro parlamento.
Faltava, pois, em absoluto, coerência ao sistema eleitoral português.
Há muito que eu vinha propondo que o PSD retomasse a sua proposta inicial, dos anos 80, e, em 2004, no recomeço dos trabalhos em São Bento, , a direcção do grupo parlamentar, agendou, finalmente, esse meu velho projecto .
Pelas reacções imediatas, logo se percebeu que as velhas fracturas ideológicas, aliás mais de natureza cultural e e histórica do que decorrentes de um moderno confronto ideológico entre esquerda e direita, resistiam ao passar do tempo.
O debate - não podia adivinhar que uma inesperada antecipação de eleições o converteria no meu último debate na AR ... - colocou, de um lado, a favor, o PSD, o CDS e o BE (Bloco de Esquerda), e, do outro, contra, o PS e o PCP.
Porém, os fundamentos invocados por socialistas e comunistas, soando como o eco da discussão havida, no mesmo lugar, 18 anos antes, estavam gastos e desactualizados.
O socialista Oliveira Martins tinha pela frente não apenas, à sua direita "geográfica" no hemiciclo, os aguerridos adversários de sempre, mas também, à esquerda, um Francisco Louçã, em grande forma, a deixa-lo só, na companhia de um aliado antigo, que se tornara mais incómodo... E, por isso, após constantes diatribes contra a iniciativa em apreço, a sua última frase foi mais enigmática do que assertiva, e, no dia da votação, o PS deu um "sim" ao projecto de lei.
O PCP, definitivamente isolado, acabou numa discreta abstenção, e ainda por cima, depois de alegar, no essencial, o descaso dos emigrantes não europeus pela questão da Europa e de congeminar um "paradigma de desinteresse" que o futuro se encarregou de desmentir... Cito o deputado António Filipe:
"Um cidadão português que vive na Argentina estará muito mais preocupado com a evolução do Mercosul, que o afecta directamente, do que propriamente com a evolução do processo de integração europeia...".
Ora, de facto, os portugueses da Argentina, com quase 12% de presenças, ultrapassaram largamente, por exemplo, os portugueses de França, com menos de 1% (um por cento!), da Alemanha, com 3,69% ,ou do Reino Unido, com 3,4% ...
Mas a Argentina não é caso único. A Europa, nestas eleições "europeias"
teve piores resultados percentuais, e até em número de eleitores (2.120 no total de 5.550), do que as comunidades transoceânicas. Surpreendentemente.
E assim, uma vez mais, se viu que quem se opõe à dupla cidadania, com dupla participação política, é quem não compreende que os nossos emigrantes sabem dar, por exemplo, à Argentina e ao Mercosul, o que é da Argentina e do Mercosul, e a Portugal e à UE, o que é de Portugal e da UE...


III - O fenómeno da abstenção nestas eleições foi, globalmente, o desastre previsível. Um fracasso monumental.
Mas constituiu, simultaneamente, uma formidável sondagem!
5.500 votos entrados em urna, nos consulados, pela mão de um eleitorado, ao que se julga, ainda não "viciado" na tentação do "voto de protesto" - sobretudo fora da Europa, onde previamente só haviam escolhido uma sucessão de deputados e dois presidentes , ou seja, aquelas escolhas que desaconselham tão sofisticada manifestação de desagrado... - constituem a mais credível das sondagens.
Salvo imprevistos de peso, embora expresso em números muito superiores- esperemos que sim! - o sentido de voto deverá manter-se...
Na Europa (onde, há quatro anos, o PS só não conseguiu os dois deputados, por meia dúzia de votos) a previsão é de um equilíbrio maior face ao PSD: registou agora apenas 30,9% , contra os 28,51% do (quase sempre) segundo.
Porém, nestas "europeias", nesta circunscrição, assistiu-se, não tanto ao crescimento do PSD, mas ao fraccionamento de voto à esquerda, com a subida do PCP (para 17,31%) e, em menor grau , do BE (9.8%). Em países como a Alemanha, Luxemburgo, Holanda ou Suécia, os comunistas ultrapassaram os 20%!
Será que o mecanismo do "voto útil" - esse outro ínvio instrumento de perturbação de previsões - vai jogar em favor dos socialistas? Jogar, joga, com toda a probabilidade, a diminuição da abstenção em França, o maior colégio eleitoral, onde o PS está acostumado aos seus êxitos mais expressivos.
Fora da Europa, o PSD parece destinado a alcançar nova e robusta maioria, e até por margem superior à de 2005, garantindo o pleno de deputados. Tal como o PS na Europa, pode, aqui, recuperar ainda, algum terreno, entrando nos domínios do CDS, pela via do "voto útil", como acontece, sistematicamente, desde que a dissolução da AD (antes, o CDS elegia, não o esqueçamos, o 2º deputado neste círculo...)
Agora foi primeiro no Zimbabwe (com participação diminuta, é certo), o segundo na África do Sul (o maior colégio eleitoral do continente) e atingiu os 10% no Canadá e na Austrália , mas pode não repetir o feito nas legislativas. De facto, apesar destes progressos dos "centristas", parece manter-se, nos continentes que compõem o círculo Fora da Europa, a tendência para uma bipolarização PSD-PS, com amplíssima vantagem para o primeiro (83.05% na RAS, 73,1% na Argentina, 71,02% no Brasil, 71,37 na Venezuela, mais de 50% nos EUA, no Canadá, na Austrália, em Angola, em Moçambique...)
Em breve, já em Setembro, vamos poder comparar, números e percentagens das duas eleições, continente a continente, país a país, consulado a consulado. E testar o valor da mais isenta e objectiva das sondagens!

Maria Manuela Aguiar

junho 04, 2009

Portugal europeu, Portugal universalista

A 10 de junho, é o Portugal universalista que nós comemoramos, com o símbolo maior da cultura pátria, Camões, e com os emigrantes, os reais herdeiros de uma grande e infinda aventura de extroversão .
O Portugal da geografia é europeu. O Portugal que a história nos legou, e que permanece, em corpo e alma, até hoje, é universalista.

E o que será o Portugal do futuro?

Será, sem dúvida, o que nós quisermos. A resposta tem de ser dada, colectivamente, e não só pelos políticos, que nos representam. Pelo Povo!
O 10 de Junho, muito em especial neste ano de 2009, já que foi enquadrado ou antecedido por uma campanha eleitoral europeia, constitui um tempo propício à reflexão sobre a nossa vida, como Nação e como Estado, e sobre o rumo a dar-lhe.

Esta reflexão devia ter constituido - embora isso, na verdade, não tenha acontecido - um tema central de debate, nas escolhas de modelos de aprofundamento da UE e na eleição de deputados ao Parlamento Europeu, que, entre nós, se realizou a 7 de Junho. A discussão, como se sabe, recaiu, quase exclusivamente, em querelas domésticas - e o mesmo sucedeu em outras democracias, mais antigas e consolidadas do que a nossa.
Até parece que a União Europeia já foi mais apaixonante do que é...
Mas vamos supor que recuperará, eventualmente, o seu poder de atracção e de mobilização dos europeus, coisa que, devo dizê-lo, é da máxima importância para o seu desejável desenvolvimento.

Nesse caso, o ideal será que Portugal saiba ser um parceiro esclarecido e influente. E, a meu ver, só o será se se assumir com a sua própria e singular experiência, a sua maneira de ver o mundo, as suas relações tradicionais e a sua família natural , que anda dispersa por todos os continentes do planeta e assim continuará para sempre. Por causa da emigração, da Diáspora. E, também, dos povos com os quais partilhou vivências, em outras épocas, dos Estados que nasceram do desmoronar (tardio, embora, em Africa e no Oriente) do seu Império.
Só assim poderemos - nós, Portugueses, como cada um dos outros povos europeus, com variadas experiências - ajudar a fazer uma Europa com densidade humana, com sensibilidades múltiplas para um maior número de situações e de problemáticas e com mais capacidade de diálogo e cooperação em diferentes regiões do mundo. No nosso caso, no Brasil e em todo o espaço da lusofonia, antes de mais!
Sem o que nos desvalorizaríamos, num processo de regressão à nossa marginalidade geográfica - e não só geográfica, mas cultural e política - que, há séculos soubemos superar com um plano estratégico de Expansão, para além do mar...
Devemos tentar, agora, de novo, encontrar os modos de levar a Europa connosco para fora das suas fronteiras, fazer mais europeus e mais europeístas em outros continentes.
Por pensar assim, apresentei, na Assembleia da República, em 2004, com o indispensável apoio do meu e de outros partidos, uma proposta de extensão do direito de voto no Parlamento Europeu (cada dia mais poderoso, mais "parlamento" ...) a todos os emigrantes, independentemente do País onde residam. Uma proposta que parecia utópica e acabou em lei quase consensual - com toda a justiça, porque os portugueses das Américas ou da Oceania são, por inteiro, "cidadãos europeus" e é bom para eles próprios e para a Europa que se sintam como tal. E é bom para Portugal, para que continue a sentir-se, através deles, presente universalmente.
Aliás se acompanharmos, como eu acompanho, a mensagem que, há largos anos, nos deixou Joaquim Nabuco, não correremos nunca o risco de perder os ganhos da Expansão, num regresso à pequenês das origens europeias...
Dizia Nabuco, precisamente na celebração do quarto centenário da morte de Camões, em 1880, no Rio de Janeiro:
"... Portugal pode desaparecer dentro de séculos , submergido pela vaga europeia, ela (a glória de Camões) terá em cem milhões de brasileiros a mesma vibração luminosa e sonora" .
São hoje muitos mais os brasileiros, a garantir a perenidade da língua de Camões.
E a "vaga europeia", ( que alguns adivinham e denunciam, prematuramente, nas crescentes "transferências de soberania" dos Estados nacionais para a UE) não nos ameaça, ainda, de submersão.!
Mas é , em qualquer caso, excelente colocar, assim, lucidamente, antes do nosso destino europeu, o cruzamento de destinos de Brasil e Portugal, porque, como escreveu outro Poeta, no século seguinte, "a nossa pátria é a língua portuguesa".
Esta é a Pátria que eu quero homenagear, neste 10 de Junho. E porque não com uma outra citação de Nabuco?
"Os Lusíadas e o Brasil são as duas maiores obras de Portugal" .

Maria Manuela Aguiar

junho 03, 2009

Dia de um Portugal maior











A 10 de Junho, Portugal reencontra-se, no figurino oficial das comemorações, na sua verdadeira dimensão: para além da vida centrada num pequeno teritório europeu e insular, na grandeza da sua cultura e da sua língua, simbolizadas em Camões, e na força da sua Diáspora, presente nos cinco continentes do mundo.

É um breve encontro, que dura um dia somente, em clima de festa!
Como aprender a preparar o futuro, com as potencialidades e as energias deste Portugal redimensionado à medida da sua realidade?

Eis o grande desafio que se colocou - e coloca - a sucessivos governos, a sucessivas gerações de políticos, depois que a democracia foi restaurada, há décadas, sem ter ainda conseguido o esboço de uma estratégia, de um projecto nacional, que abranja esta "totalidade".

Falta uma política cultural, baseada, antes de mais, na língua, que reforce a sua expansão entre os filhos e netos de emigrantes, à escala planetária, pois o investimento inteligente e patriótico que se exige, começa por falhar no ensino, inexistente ou insuficiente, a nível das comunidades portuguesas, assim como na cooperação com os outros Estados lusófonos, na divulgação em tantos países estrangeiros, onde a receptividade é grande.
O Instituto Camões não pode comparar-se ao "Cervantes", ao "Goethte", à Alliance Française" e não parece que a reforma anunciada vá nesse sentido...

Falta, igualmente, uma política de mobilização dos expatriados, um terço da população do país - onde sempre se reduz o seu número a 10 milhões de residentes no território, esquecendo os 5 milhões que estão fora, e que, do seu lado, lembram a terra de origem, a toda a hora...
Uma política que lhes dê visibilidade, no interior e no exterior de Portugal, e possibilidades de participarem, mais e mais, em qualquer domínio da história e do destino que se vai fazendo, e que pode contar com eles, estejam onde estiveram. É preciso percorrer os novos caminhos do mundo, que eles estão preparados para nos abrir.
Mesmo em tempo de crise, estou entre os que acreditam que vale mais investir na expansão cultural, a ligar as comunidades e os povos de língua portuguesa, do que no cimento das autoestradas, que já há de sobra, ou nas linhas multimilionárias dos comboios de alta velocidade, a ligar duas capitais vizinhas.
Só um investimento prioritário na cultura pode valorizar o passado - com a sua mensagem universalista e Camoneana, e a sua vivência em paragens longínquas, onde Portugal continua, através da Diáspora - e, em simultâneo, construir um novo pioneirismo, uma modernidade do século XXI, que tem de começar num patamar elevado de saberes e conhecimentos, num "estado de espírito", e num diálogo entre Portugueses dispersos, mas reunidos, em volta de um desígnio nacional.
Este diálogo e a colaboração muito concreta são possíveis, porque os Portugueses, por si e através das grandes instituições, que criaram, no Brasil e em todas as terras onde estão, o querem, indubitavelmente. É isso mesmo que reclamam e esperam há muito!

Há mais de 40 anos, um dos nossos concidadãos, porventura o que melhor soube, no século XX pensar este "Portugal maior", convocou dois sucessivos "Congressos" da Diáspora, instituiu a "União das Comunidades de Cultura Portuguesa" e um Instituto da Língua.
Era, nessa época, presidente da Sociedade de Geografia. Chama-se Adriano Moreira.
Vinte anos mais tarde, nova tentativa, também ela efémera, por falta de compreensão e continuidade política...
A visão de Adriano continua actual, e, por isso, me parece útil lembrá-la a 10 de Junho.
Para que as festas do Dia Nacional, que, nas Comunidades do Brasil e do mundo inteiro, se distinguem pela sua espontaneidade e caracter afectivo e pelo seu brilho, quando comparadas com as que oficialmente - e só oficialmente... - se organizam em solo pátrio, venham a ser seguidas por um movimento de convergência de esforços e de acções, que dure não apenas um dia, mas o infinito tempo de um futuro vivido em comum.
Num Portugal maior!

Maria Manuela Aguiar



O MEU 10 DE JUNHO EM NEWARK e ELIZABETH

Uma vez mais passei este dia no maior 10 de junho do Portugal maior: em NewarK - o 30º organizado pela Família Coutinho, e, nos anos mais recentes, pela "Fundação Coutinho".
Espantoso, com imensa adesão popular!
A 11, apesar da chuva, a missa na Catedral de Newark, que é tão grande e estava cheia de portugueses, de várias paróquias do Estado de NJ. Palavras sábias e inspiradas do Bispo Emérito de Leiria e Fátima, D. Serafim.
A "festa dos amigos", uma iniciativa de Maria Coutinho, na noite de 12 de Junho, reuniu mais de 750 pessoas, no bonito salão do Hotel Robert Treat. A parada, a 14, atraiu dezenas de milhares, e o tempo ajudou: nem chuva, nem muito calor.
Muitas autoridades americanas, o Governador do Estado, o "Mayor", políticos de ascendência portuguesa, mas, de Portugal, apenas o autarca que foi distinguido como "Grand Marshall" da Parada. Insólito!
O ano passado esteve lá, em representação do governo, o Secretário de Estado da Presidência, Dr. Jorge Lacão, que, devo dizer, deixou a melhor das imagens, pela sua simplicidade e simpatia.

Em Elizabeth, tive, de novo, o privilégio de estar com Monsenhor João Antão e com o Padre José Manuel Fernandes (quando na Venezuela, nos anos 80, conselheiro eleito do CCP!), e com o Bispo D. Serafim.
E pude participar nas alegres e tradicionais festas e marchas de Santo António, a 13 de junho, e na procissão da manhã do dia 14, na Igreja de Nossa senhora de Fátima.
Ali é sempre Portugal!