As Academias de Bacalhau estão hoje espalhadas no mundo, como
verdadeiros padrões de presença portuguesa, cumprindo uma vocação
matricial de convivialidade, que vem marcando o seu trajecto de
várias décadas, sempre a irradiar alegria, a expandir a nossa cultura
e os nossos costumes, a oferecer solidariedade a quem precisa.
A ideia que lhes deu origem é, em si mesma, uma ideia felicíssima e
singular: partir de uma simples tertúlia de amigos, reunidos num
almoço habitual, e juntar-lhe - numa fórmula que faz toda a diferença
- as componentes essenciais da cultura e da beneficência.
Mas por muito interessante que fosse este "achado", ao colocar uma
forma de associativismo lúdico ao serviço dos mais nobres objectivos
da sociedade, os seus autores não terão, com certeza, imaginado a
assombrosa aventura humana em que haveria de se traduzir!
O mundo da Diáspora portuguesa era formado por um sem número de
comunidades engendradas pela mesma vontade de preservar a
identidade nacional e de conservar os laços afectivos de ligação à Pátria, mas
que, não obstante o que as unia, permaneciam distantes e
incomunicáveis entre si.
Era preciso dar um passo em frente para formas mais englobantes de cooperação
entre instituições congéneres, entre Portugueses dispersos no espaço
geográfico
dos cinco continentes. Uma meta que, face à experiência do passado, parecia
inatingível. Seriam os portugueses, ao invés de tantos outros povos
europeus da emigração, definitivamente, avessos ao envolvimento num
amplo movimento de
convergência? As Academias do Bacalhau vieram provar que não. Ao longo
de mais de quatro décadas, mostraram tanto uma enorme capacidade plástica
de se moldarem à situação e características das sociedades em que se inseriam,
como uma surpreendente facilidade de vencer as distâncias geográficas,
estabelecendo
a ligação permanente entre todas, pontuada por congressos mundiais,
que juntam centenas
e centenas de "compadres", em sessões de trabalho e em convívio fraterno.
Do acolhimento se encarrega, com invariável eficiência, a Academia anfitriã.
Este movimento converteu-se, assim, em paradigma de diálogo e articulação de
projectos a nível intercontinental, e é também o único actuante, em simultâneo,
com o mesmo espírito e as mesmas regras, na Diáspora e em Portugal.
E pensar que tudo começou, em Março de 1968, num restaurante de Joanesburgo,
durante um almoço oferecido por quatro amigos a Manuel Dias, o mítico
jornalista
portuense!
Aí surgiu a ideia, segundo nos conta o fundador e presidente
honorário das Academias,
Dr. Durval Marques. Depois, os quatro (Dr. Durval Marques, Eng.º José Ataíde,
Ivo Cordeiro e Rui Pericão) suscitaram adesões e trabalharam em
conjunto para dar
configuração ao projecto, definindo os princípios informadores, as
particularidades
e formato original da futura agremiação. A Academia do Bacalhau de
Joanesburgo seria
lançada logo a 10 de Junho desse ano, durante a primeira grande
comemoração do Dia
Nacional na capital do Gauteng. Estava bem gizada e pronta a dinamizar acções
mobilizadoras em seu redor, com o seu exemplo, promovendo, a disseminação das
Academias em outras cidades.
A designação "Academia" não tem conotações elitistas - as regras de tratamento
no seu interior excluem, aliás, o uso de quaisquer títulos
universitários ou profissionais -
antes apela à camaradagem, à união, sem excluir a dose certa de
irreverência, que quadra
na perfeição com as praxes e rituais adoptados, a fazerem lembrar os
das nossas
organizações académicas, sobretudo as do Porto, do Orfeão
Universitário, de onde vem
o "gavião de penacho", que se canta em coro, em momentos altos.
A "Academia-tertúlia" não tem sede, o seu património são as pessoas, que podem
reunir em qualquer lugar, à volta de uma mesa de restaurante, em
frente a um prato
de bacalhau, "o fiel amigo". A focagem na amizade revela-se, igualmente, na
denominação de cada um dos seus membros: " compadre", sinónimo de "melhor
amigo", aquele que se convida para padrinho dos filhos. Ali não há
"doutores" todos se
tratam, familiarmente, por "compadres". As suas mulheres, as chamadas
"comadres", desde sempre, estiveram presentes nas festas especiais,
como convidadas,
não inicialmente como sócias.
Este é um aspecto que não gostaria de omitir, e que, do meu ponto de
vista, deve ser
situado no seu contexto histórico. A génese da tertúlia de Joanesburgo
explica "de per si"
o "porquê" da estrutura ser, na origem, exclusivamente masculina, e
afasta a hipótese de
qualquer intenção deliberadamente discriminatória: eram os homens que
conviviam, entre si,
na pausa de trabalho, ao almoço. As mulheres, simplesmente, não estavam lá, não
partilhavam o mesmo círculo de actividades ou de camaradagem
profissional. Por isso,
quando essa factualidade se alterou, com as mulheres a surgirem, lado
a lado, com
os homens no campo profissional ou associativo, foram sendo admitidas,
em muitas das Academias, como filiadas de pleno direito, e logo as vimos
em lugares de direcção ou mesmo na presidência, por exemplo, em
Toronto, na Nova
Inglaterra, em Brasília. O que não tem paralelo em outros ramos do
nosso associativismo
mais antigo e tradicionalista.
Refiro-me ao acesso em massa das mulheres, que aconteceu,
primeiramente, em países,
onde a igualdade de género era mais conseguida. Mas, de facto, a
título excepcional,
algumas senhoras haviam sido, muito antes, admitidas, como membros da
Academia Mãe de Joanesburgo, mulheres de Artes, de Letras, como Amália
Rodrigues (a primeira de todas), Vera Lagoa, Graça Sousa Guedes, ou
oriundas da política, como eu mesma. Aceitei, com entusiasmo, esse
estatuto por um lado, porque
estava ciente da importância de abrir precedentes e confiava na
capacidade de ajustamento
daquele modelo organizacional a uma realidade em evolução, (não só,
mas também, no
que respeita à colaboração igualitária de mulheres e homens) e, por
outro lado, porque
admirava as Academias e acreditava nas suas virtualidades de fazerem
coisas cada vez mais
extraordinárias.
O lugar ímpar e cimeiro a que as Academias ascenderam no universo da
emigração,
ficou, evidentemente, a dever-se à qualidade dos seus dirigentes. Tanto os
pioneiros, como os que lhes sucederam eram (são!) líderes de larga visão,
conhecedores da importância de conjugar esforços para consolidar e engrandecer
verdadeiras comunidades em terra estrangeira. Sabiam bem que estas
podem datar o
seu nascimento e formação do início do associativismo. Podem mesmo, a meu ver,
sintetizar a sua história numa glosa lapidar: "Associo-me, logo
existo". Este poder criador
e estruturante de comunidades, em sentido orgânico, está, de há
muito, estudado e definido
e é corrente distinguir, de acordo com as finalidades principais,
as instituições
de assistência e solidariedade, as agremiações de fins culturais, os
clubes e centros
e recreativos. Todavia, as Academias do Bacalhau escapam a essa
divisão clássica,
devido ao ecletismo e pluralidade dos seus fins e à singularidade dos
meios utilizados
para lhes dar cumprimento. Conseguem ser, do lado da Diáspora, um elo de
ligação à Pátria, e, também, a partir das Academias existentes no nosso país,
um meio de compreensão e de convivência ecuménica com a Diáspora.
Há, entre os seus membros muitos emigrantes ou ex-emigrantes,
considerados, justamente,
“gente de sucesso” É excelente lembrar o percurso individual de cada
um, mas sem
esquecer o que tende a ser mais subestimado: as suas realizações colectivas..
Um longo relacionamento com as comunidades, leva-me a acreditar no papel
insubstituível do associativismo, em que vejo," um ímpeto de
Portugal", de que falava
Pessoa - o ímpeto que despertou para a acção concreta os fundadores
das Academias,
no sul da África, e, depois, um pouco por todo o lado, em instituições
que avançaram e
cresceram à medida dos desafios com que foram deparando.
Julgo que o processo de descolonização de Moçambique e Angola, e, com ele, a
necessidade de valer a dezenas de milhares de refugiados, foi um dos
factores decisivos de
uma rápida evolução para patamares de actuação cada vez mais
elevados, com a criação
da Sociedade de Beneficência de Joanesburgo e do Lar Santa Isabel, na
segunda metade
da década de 70. Um passo de gigante, que centrou a acção das
Academias definitivamente,
na acção humanitária.
E o regresso, em grande número, da África do Sul, anos mais tarde,
terá sido determinante
na constituição de novas Academias no nosso próprio País. Os
"compadres" retornados
trouxeram consigo a saudade de África e a determinação de retomar o
convívio e o trabalho
beneficente, em terras portuguesas.
O Porto foi uma das primeiras cidades do país em que isso aconteceu -
como não poderia
deixar de ser, já que, através de ilustres portuenses, havia estado
presente em Joanesburgo,
no momento verdadeiramente genesíaco, e em todo o processo em que tão
grande aventura
se veio a desenvolver. E bem pode dizer-se que a imagem de marca da
cidade - força de
trabalho, poder de iniciativa, extroversão da alegria de viver - se
evidencia, hoje, na
dimensão e no dinamismo da sua Academia.
A fase seguinte foi a de expansão em novos destinos da Diáspora, o
que nos leva a
perguntar: e agora, que futuro para as "Academias"?
Em tempo de crise sem fim à vista, num ponto de partida de grandes
vagas migratórias
- a chamada "nova emigração", fenómeno recorrente em Portugal, em ciclos que se
encadearam, inparavelmente, nos últimos cinco séculos - quantos
desafios vemos pela frente!
É o momento de pormos nas Academias do Bacalhau as maiores esperanças, apostando
na sua experiência para enfrentar conjunturas difíceis e, como é da
sua natureza, fazer
história em gestos de solidariedade e simpatia.
Afirmação que avançamos, de caso pensado, com segurança, pois estamos
a falar, afinal,
naquele que se transformou no mais moderno e dinâmico movimento de união dos
Portugueses do mundo inteiro.
agosto 07, 2012
julho 09, 2012
O dia em que conheci Dona Benvinda não pode ser adiado. Eu bem quis, mas ela não deixou...
Era o verão de 1980 e o dia em que o rancho Folclórico Português do Rio de Janeiro estava de passagem por Lisboa, com almoço marcado num restaurante próximo do elevador que Eifel construiu para subir da Rossio ao Carmo. Era eu Secretária de Estado da Emigração, tinha aceite o convite para estar presente e foi em vão que tentei fazer-me substituir pelo Chefe de Gabinete, Luís Garcez Palha. Dona Benvinda deixou bem claro que não aceitava representações. Ou eu ou ninguém!
Estava ainda a meio caminho entre as capitais do norte e do país, atrasado pelo alongamento do programa da manhã. Percebi que o atraso era irrelevante, ao contrário da ausência, que não seria perdoada. O motorista voou, positivamente, pela estrada nacional nº1, ao volante do velho Citroen, para que eu chegasse antes do café.
Fui recebida em festa, com os meninos a cantar e a bater palmas (ai de mim, se quisesse passar despercebida...). Dona Benvinda sorria, ao lado do marido, o Comendador Marques Mendes, e da grande artista brasileira Neuza Amaral, que, na altura, era a actriz principal da telenovela da Globo, que todo o Portugal via ao serão.
Foi um encontro feliz, de começo de amizade, que não teria fim.
Gostei logo na primeira impressão de Dona Benvinda - ali estava uma líder nata, em pleno exercício da liderança no feminino. Coisa ainda pouco comum hoje, mas raríssima então.
Tinha ideias e sabia executa-las pragmaticamente, como se via no próprio exemplo de trazer a Portugal um grupo de danças composto por jovens escolhidos nos ranchos folclóricos das muitas "casas regionais" do Rio. Cada par com o seu traje e a sua bandeira. Bailando folclore português na 1ª parte dos espectáculos e samba, com cor e fantasia tropicais, depois do intervalo. Um achado! Ano após ano, esta iniciativa trouxe a Portugal cerca de um milhar de jovens.
E foi uma entre tantas, promovidas a partir da plataforma que era o seu jornal - o Mundo Português, mais tarde, o "Portugal em Foco". O jornal tinha a sua marca inconfundível, procurava, como ela própria, a proximidade e interacção com o associativismo, com a comunidade, retratando-a, dinamizando-a, na sua relação com Portugal e Brasil.
Era, por isso, mais do que uma directora de jornal, ou uma jornalista talentosa. Era uma protagonista de 1º plano nos destinos da sua comunidade. Tinha voz, tinha influência, e uma formidável capacidade de mobilizar colaborações, de fazer amigos e de realizar projectos. Uma energia inesgotável. uma força imparável, uma inteligência viva, uma sabedoria conseguida na universidade da experiência da vida.
E muita espontaneidade, muito à vontade, com os ricos e poderosos e com o povo, povo, por igual. Lembro.me de ter participado, uma vez num programa de rádio, que manteve enquanto quis, com altas audiências. Um programa de porta aberta, em que entrava e saía gente, em redopio, contando histórias, dando recados, falando das coisas mais diversas, e mais divertidas, sem que o fio da meada escapasse da mão de Dona Benvinda. Ninguém mais conseguiria orquestrar assim a multidão das vozes que se cruzavam nas conversas. Nunca mais veria nada se semelhante em parte alguma do mundo. Era o mundo de Dona Benvinda, era Dona Benvinda mudando o mundo!
junho 18, 2012
Tópicos - conferência de Londres
1 - Navigations, colonisation, emigration -a men's world, very few women
(from 1500 on almost 1/3 of the population moving around the planet)
Boxer points out opposite policies in Spain and Portugal
2 - Exceptions
Orfãs d'El Rey (homeless girls married to expatriates (husbands getting jobs, lands,...) India, Zambezia
Family emig - Angola - later on, Hawaii
3 - Clandestine exodus... (men and women, as well) - 1/3 of total
Limitation or repression of emig - more so fem. emig, increasing by the begggining of the XX century (30% W)
Experts, polititians, E Silva, Aff Costa; depreciation of the emig phenomenon
(public interest: savings, return os expatriates - both diminishing with family mig)
4 - Feminisation of emig - new increase - in the 70's, 50% (gas crisis)
Risks . dependence on husbands, unemployment, isolatio
Double discrimination - men and w of host country/ emig men
(diverse circunstances - generally: acess to labour market, emancipation (compare to non emig port w...)
Awareness of individual rights and social causes, new ways to be W (mother, wife, citizem worker
they benefict from more equality, in family and society
Contributors, econ ,well-being culture. integration whole family
(port: propensity to adapt, to imitate, to respect other ways; in Rome, be roman)
5 - Port communities . network of association
(propensity to create associations)
W - change of nature in the assoc... culture, traditions, seats of community life . invisible, but influent - extension of portuguese society. extra territorial phen..
6 - 2 Worlds. 2 rates of progress
Mixed assoc - fem assoc Deluting in the futur?
7 - New fem emig
Independent, educated
8 - Fem emig - unknown History. History in the making
9 - E Lourenço; generation of winners
Fem emig Double winners
as emig
as Women
(from 1500 on almost 1/3 of the population moving around the planet)
Boxer points out opposite policies in Spain and Portugal
2 - Exceptions
Orfãs d'El Rey (homeless girls married to expatriates (husbands getting jobs, lands,...) India, Zambezia
Family emig - Angola - later on, Hawaii
3 - Clandestine exodus... (men and women, as well) - 1/3 of total
Limitation or repression of emig - more so fem. emig, increasing by the begggining of the XX century (30% W)
Experts, polititians, E Silva, Aff Costa; depreciation of the emig phenomenon
(public interest: savings, return os expatriates - both diminishing with family mig)
4 - Feminisation of emig - new increase - in the 70's, 50% (gas crisis)
Risks . dependence on husbands, unemployment, isolatio
Double discrimination - men and w of host country/ emig men
(diverse circunstances - generally: acess to labour market, emancipation (compare to non emig port w...)
Awareness of individual rights and social causes, new ways to be W (mother, wife, citizem worker
they benefict from more equality, in family and society
Contributors, econ ,well-being culture. integration whole family
(port: propensity to adapt, to imitate, to respect other ways; in Rome, be roman)
5 - Port communities . network of association
(propensity to create associations)
W - change of nature in the assoc... culture, traditions, seats of community life . invisible, but influent - extension of portuguese society. extra territorial phen..
6 - 2 Worlds. 2 rates of progress
Mixed assoc - fem assoc Deluting in the futur?
7 - New fem emig
Independent, educated
8 - Fem emig - unknown History. History in the making
9 - E Lourenço; generation of winners
Fem emig Double winners
as emig
as Women
junho 16, 2012
Conferência de Londres sobre emigração portuguesa (resumo da intervenção)
The role of woman in the Portuguese Diaspora has been relatively
unacknowledged throughout centuries of huge migratory movements
largely dominated by male stereotypes.
Nevertheless emigration had in fact profound effects in the life of
women within the family circle, in society and in the labour market, and
women did strongly contribute to transform both individual
immigration projects and the Portuguese communities in host societies.
Traditional Portuguese policies opposed and limited feminine
emigration as women were expected to suffer "double discrimination"
abroad (as foreigners and as women) but recent studies and hearings
of women speaking for themselves reveal that in many cases and for a
majority of them, emigration signified more rights and opportunities.
In more prosperous, modern and egalitarian societies they became aware
unacknowledged throughout centuries of huge migratory movements
largely dominated by male stereotypes.
Nevertheless emigration had in fact profound effects in the life of
women within the family circle, in society and in the labour market, and
women did strongly contribute to transform both individual
immigration projects and the Portuguese communities in host societies.
Traditional Portuguese policies opposed and limited feminine
emigration as women were expected to suffer "double discrimination"
abroad (as foreigners and as women) but recent studies and hearings
of women speaking for themselves reveal that in many cases and for a
majority of them, emigration signified more rights and opportunities.
In more prosperous, modern and egalitarian societies they became aware
of individual rights and of social causes and learned new ways of being
wives, mothers, citizens and professional workers They were a decisive factor
in the integration and in the wellbeing of the whole family and very often
an obstacle to the choice of returning to the country of origin.
Inside their ethnic group, they also played an important role in the
setting up of cultural organisations guarding traditions and ways of
being and living collectively. But the association movement is still mostly
led by men, women reacting in some cases by creating their separate
associations . The major institutions of Portuguese emigration are
still less egalitarian than the host society as a whole - although some more
Inside their ethnic group, they also played an important role in the
setting up of cultural organisations guarding traditions and ways of
being and living collectively. But the association movement is still mostly
led by men, women reacting in some cases by creating their separate
associations . The major institutions of Portuguese emigration are
still less egalitarian than the host society as a whole - although some more
than others.
A comparative view of progress in this domain, through research,
seminars and debates is a way to press for change.
A comparative view of progress in this domain, through research,
seminars and debates is a way to press for change.
junho 11, 2012
ACADEMIAS SENIORES DE ARTES E SABERES ( ASAS)
(Anteprojecto)
ACADEMIAS SENIORES DE ARTES E SABERES (ASAS)
ESPAÇO DE ANIMAÇÃO CULTURAL NAS ASSOCIAÇÕES PORTUGUESAS DO ESTRANGEIRO
1 - No ano europeu para o envelhecimento activo e o diálogo intergeracional, a Associação Mulher Migrante, com o apoio da SECP e a colaboração de vários parceiros, entre os quais a Universidade Aberta, propõe a criação de uma rede de "Academias" através da organização de cursos destinados a maiores de 55 anos, versando sobre uma diversidade de matérias, da livre escolha de cada associação.
2 - Os cursos são constituídos por aulas, palestras, seminários, viagens de estudo e outras iniciativas, podendo cada participante seleccionar os que mais lhe interessem.
É desejável que a frequência seja aberta, por igual, a mulheres e homens, com a preocupação de assegurar a natural paridade (ao menos em termos de uma percentagem significativa de ambos os géneros) e que entre os monitores de cursos ou conferencistas se procure a componente intergeracional, apelando, quando se julgar, possível e vantajoso, à colaboração dos mais jovens.
3 - Essas tarefas deverão ser desempenhadas, em princípio, em regime de voluntariado, embora cada Academia seja autónoma nas suas decisões, podendo optar por formas de remuneração simbólica dos docentes ou solicitar contribuição aos auditores para custear as despesas havidas com o funcionamento das Academias.
4 - Nada impede, também, antes pelo contrário, que os auditores de um curso sejam os mestres em outros, de sua especialidade, visto que a troca de experiências de vida e de saberes é uma dos objectivos principais do” projecto ASAS”.
5 - Um tema recomendado, ao longo de 2012 e 2013, a todas as Academias que venham a criar-se, neste contexto, é a recolha oral de histórias de vida na Diáspora e (ou) a escrita autobiográfica dos emigrantes. Para o desenvolvimento das suas actividades neste domínio, as academias contarão com a cooperação pedagógica e científica da Doutora Joana Miranda, da Universidade Aberta de Lisboa.
6 - Exemplificação de outras disciplinas susceptíveis de comporem os “curricula”das Academias:
Dança, Folclore, Teatro, Canto, Artes Plásticas, Culinária, Nutrição, Jogos e Desporto para todos, História, Línguas, e Literaturas, Direitos Humanos, Migrações Internacionais, Informática, Redes Sociais, Escrita Criativa, Associativismo
7 - Inspiradas nos moldes de funcionamento das chamadas "universidades Seniores" - que conhecem um grande sucesso e desenvolvimento em Portugal, - as “Academias” são à partida, esquemas, mais simples e mais acessíveis, por poderem facilmente integrar-se na programação cultural das instituições aderentes.
A inserção associativa será particularmente aconselhável em colectividade que giram “Lares de Dia”, instituições geriátricas, ou Centros de cultura, lazer e desporto, onde se constate o afastamento das primeiras gerações de emigrantes.
8 - Considera-se, igualmente, importante encorajar o nascimento de "Universidades Seniores", semelhantes às existentes no País, dotadas de autonomia institucional, como vem a ser tentado desde 2009, nos termos das recomendações do Encontro de Mulheres da Diáspora, promovido pela Associação Mulher Migrante, (estando em vias de lançamento, as de Joanesburgo e Buenos Aires).
9 - Nas “Academias Seniores” como nas Universidades Seniores, que se estima caminhem a par, para uma “rede mundial”, não há exames, mas é solicitada aos participantes uma atitude interventiva e a regularidade de atendimento nas iniciativas de sua preferência. No final poderá ser oferecido um diploma de participação.
Igualmente se prevê a possibilidade de edição das melhores”narrativas de vida” na forma oral ou escrita., que sejam recolhidas pelas Academias e enviadas à associação Mulher Migrante
11 de Junho de 2012
junho 03, 2012
Festejar o Dia Nacional homenageando o Poeta dos "Lusíadas" e os Lusíadas ainda hoje dispersos pelo mundo, é originalidade nossa e, a meu ver, constitui-se em escolha absolutamente perfeita.
Portugal reconhece assim que é mais mar do que terra, é mais a sua gente e a sua Cultura em expansão do que apenas um Estado a viver dentro dos limites de fronteiras geográficas. No simbolismo da data escolhida não se destaca apenas um dos muitos acontecimentos decisivos que marcaram o longo e extraordinário itinerário de Portugal, como Nação e como Estado soberano, mas a própria essência da Pátria (ou da Mátria, segundo Natália): o espírito universalista de que se fez a sua História, e que em Camões tem a mais elevada expressão cultural e ética, e a sua inteira dimensão humana, indissociável de uma imensa Diáspora.
Assim se convoca para a comemoração, numa simultaneidade de homenagens rendidas, o Portugal, que se imortalizou pela Aventura marítima, pela Expansão, pelo encontro de Culturas, e o Portugal que se continua em novas formas de convivialidade, de interacção, de progresso em benefício de outras terras e também da nossa, de que as comunidades da emigração são um novo paradigma.
Uma Aventura que foi e é movida pela vontade de superação das capacidades - capacidades de enfrentar o desconhecido, de fazer sacrifícios, de trabalhar duramente, de procurar a fortuna individual e o engrandecimento da comunidade e do País. Como não ver uma linha de continuidade entre navegadores e marinheiros, entre portugueses de todos os ofícios, que desde então se espalharam pelas sete partidas do mundo, em sucessivos ciclos de um êxodo incessante, e os emigrantes do nosso tempo?
Esquecidos no quotidiano, apesar de saberem transformar a ausência em inúmeras manifestações de solidariedade, de presença nos destinos da sua terra, os expatriados surgem, enfim, no olhar da Pátria, a 10 de Junho, com o lugar central a que têm direito. E o Dia nacional torna-se uma grande reunião de família, desdobrada em mil e uma reuniões à escala universal. Fora de fronteiras, como se vai reconhecendo crescentemente, a festa é sempre mais espontânea, mais coisa do povo do que de autoridades, mais emotiva e vibrante, talvez porque aqueles Portugueses se sintam herdeiros directos de uma história feita de movimento e de intercâmbios. E porque é através deles que Portugal vive ainda em todos os continentes, onde aconteceu o melhor do seu passado, e se dá a conhecer. numa perspectiva de futuro. O 10 de Junho não pode, naturalmente, celebrar-se a olhar para dentro, numa postura de isolamento! É uma comemoração para reunir ecumenicamente os amigos - no espaço da lusofonia, nos países que falam a mesma língua, nos países todos da nossa emigração.
Com eles, tanto ou mais do que connosco, e pela língua de Camões, que a tantos povos e nações pertence, se fez e se fará a eternidade de Portugal e se alcançará o futuro da "Lusitana Antiga Liberdade " de que falava o poeta .
junho 01, 2012
10 de Junho será sempre o dia de Portugal, porque é a perfeita celebração da essência da Pátria .
É uma escolha tão bem fundada e de tal forma nos singulariza e enaltece, que uma ou outra voz dissonante (como as que recentemente se ouviram...) não terá nunca força colectiva para a desfazer. Óbvio me parece que mais de que relembrar um dos muitos acontecimentos decisivos do nosso itinerário histórico como Nação e Estado soberano é ideal, absoluta e rigorosamente ideal, celebrar a própria identidade da Pátria – a sua Cultura, na evocação do Poeta dos Lusíadas e a sua verdadeira dimensão humana, indissociável de uma imensa Diáspora, nas Comunidades Portuguesas.
Assim se convoca, numa simultaneidade de preitos vividos, o Portugal, que se imortalizou na sua língua, partilhada com outros Povos e outras Nações, o Portugal que se fez protagonista maior da história universal e se continua num espírito de convivialidade e de aventura, de que os emigrantes são um novo arquétipo.
Uma aventura que, no passado como agora, é movida pela vontade de superação das capacidades - capacidades de enfrentar o desconhecido, de fazer sacrifícios, de trabalhar duramente, de procurar o progresso individual e o engrandecimento da comunidade.
Como não ver uma linha de continuidade entre os navegadores e os marinheiros de Quatrocentos, entre os portugueses que se dispersaram, em sucessivos ciclos, num êxodo incessante, ao longo de séculos, pelos quatro cantos do mundo, e os emigrantes dos nossos tempos? Decerto que estes a compreendem mais e mais intensamente, como herdeiros directos de uma história feita de movimento, e de convívio e de partilha de experiências. E é, de facto, através deles que Portugal vive ainda em todos os continentes, onde aconteceu o melhor do seu destino histórico. Gente admirável, de paz, de trabalho, de bom nome e prestígio, que pertence ao todo nacional, como pertence às sociedades onde também se insere.
O 10 de Junho não deve celebrar-se a olhar para dentro, numa postura de isolamento.
É uma festa para reunir ecumenicamente os amigos, e lembrar os companheiros de uma caminhada secular, no espaço da lusofonia, nos países que falam a mesma língua,e de que o Brasil é o maior, nos países todos da nossa emigração, onde se eterniza a língua de Camões e se prepara um futuro melhor.
É uma escolha tão bem fundada e de tal forma nos singulariza e enaltece, que uma ou outra voz dissonante (como as que recentemente se ouviram...) não terá nunca força colectiva para a desfazer. Óbvio me parece que mais de que relembrar um dos muitos acontecimentos decisivos do nosso itinerário histórico como Nação e Estado soberano é ideal, absoluta e rigorosamente ideal, celebrar a própria identidade da Pátria – a sua Cultura, na evocação do Poeta dos Lusíadas e a sua verdadeira dimensão humana, indissociável de uma imensa Diáspora, nas Comunidades Portuguesas.
Assim se convoca, numa simultaneidade de preitos vividos, o Portugal, que se imortalizou na sua língua, partilhada com outros Povos e outras Nações, o Portugal que se fez protagonista maior da história universal e se continua num espírito de convivialidade e de aventura, de que os emigrantes são um novo arquétipo.
Uma aventura que, no passado como agora, é movida pela vontade de superação das capacidades - capacidades de enfrentar o desconhecido, de fazer sacrifícios, de trabalhar duramente, de procurar o progresso individual e o engrandecimento da comunidade.
Como não ver uma linha de continuidade entre os navegadores e os marinheiros de Quatrocentos, entre os portugueses que se dispersaram, em sucessivos ciclos, num êxodo incessante, ao longo de séculos, pelos quatro cantos do mundo, e os emigrantes dos nossos tempos? Decerto que estes a compreendem mais e mais intensamente, como herdeiros directos de uma história feita de movimento, e de convívio e de partilha de experiências. E é, de facto, através deles que Portugal vive ainda em todos os continentes, onde aconteceu o melhor do seu destino histórico. Gente admirável, de paz, de trabalho, de bom nome e prestígio, que pertence ao todo nacional, como pertence às sociedades onde também se insere.
O 10 de Junho não deve celebrar-se a olhar para dentro, numa postura de isolamento.
É uma festa para reunir ecumenicamente os amigos, e lembrar os companheiros de uma caminhada secular, no espaço da lusofonia, nos países que falam a mesma língua,e de que o Brasil é o maior, nos países todos da nossa emigração, onde se eterniza a língua de Camões e se prepara um futuro melhor.
maio 22, 2012
Literatura e Solidariedade – um estudo de Brasil, Fronteira da África,
de Maria Archer
Elisabeth Battista1
Em meados do século passado a circulação literária entre Brasil e África, continente que
tanto mexeu com a imaginação de leitores, era praticamente inexistente. Tendo inaugurado seu
destino viajante por terras africanas em 1910, com apenas dez anos de idade, a escritora lusitana
Maria Archer lançou em 1957, durante o seu exílio no Brasil, na capital de São Paulo, a obra Brasil
Fronteira da África, dedicado ao público-leitor brasileiro e sul-americano. No horizonte do nosso
interesse está a busca por compreender como a captação da alma de um povo se materializa na obra da escritora, assim como, naquela altura, em que poucos falavam sobre a África no Brasil, Maria Archer contribuiu para o estímulo ao diálogo entre as literaturas brasileira e africana.
A escritora e jornalista Maria Archer, nome marcante da vida e cultura portuguesas, viveu
também em Angola, Guiné-Bissau, Niassa, Luanda e, a partir de 1955, no Brasil.
Sua presença, também, era regular em jornais e revistas, aliás, muitos de seus textos de
temática africana aparecem inicialmente na imprensa periódica lusitana. Esse detalhe da biografia
de Maria Archer ajudará a compreender a sua vasta bibliografia de temática colonial publicada ora
em livros, ora em periódicos, ora, ainda, em revistas especializadas como: O Mundo Português,
Portugal Colonial e Ultramar.
Assim, a consolidação de sua atividade como escritora e jornalista de matérias
coloniais foi fruto do interesse de uma época em que viu reunidas as condições necessárias
à produção e ao consumo desse gênero de literatura.
O repertório da autora, entretanto, não se reduz aos textos laborados para os Cadernos
Coloniais, como classificam alguns seguimentos da crítica, no sistema literário e sócio-histórico cultural, dado que se segue uma vida de intensa produção literária e intelectual ainda pouco
exploradas.
É, não obstante, em 1944 que produz o primeiro e seu mais importante romance Ela é
Apenas Mulher2, obra decididamente escandalosa para a moral da época. Não só pelo tema que
1Estágio Pós-Doutoral/Universidade de Lisboa – Bolsa de Investigação/CAPES, sob a Supervisão da Profa. Dra.
Inocência Mata, FLUL/Portugal. Docente no Programa de Pós-graduação em Estudos Literários – PPGEL, da
Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT/Brasil.
2Segundo Maria Tereza Horta cita no prefácio de Ela é Apenas Mulher (2001, p. VII). Este romance é um dos melhores retratos da situação das mulheres portuguesas da primeira metade do século XX, “o único retrato autêntico de corpo inteiro”.
continua atual no que diz respeito à condição feminina, mas porque, como mulher, encontrou a
forma adequada para abordar o assunto a que se propunha: o domínio da palavra.
Há, contudo, um período enigmático em sua vida: o período em que a escritora foi em
exílio para o Brasil, nos anos de Salazar e essa é uma das razões que nos inclinam a nos deter
também no corpus estabelecido para este trabalho.
Partimos de um diversificado painel de pontos de interesses aparentemente divergentes, no
conjunto da produção literária da autora nos países de língua portuguesa, cujas obras transcendem
as fronteiras nacionais e étnicas –África/Portugal/Brasil –, podendo encontrar um farto repertório
temático à disposição dos leitores, consubstanciado na maior riqueza de gêneros, desde livros
infantis, novelas de cunho sentimental, romances, ensaios, crônicas, relatos de viagens, até teatro e
traduções.
Com base em sua vivência e conhecimento sobre a África, Maria Archer, na época em que
esteve radicada no Brasil, publicou:
Terras Onde se Fala Português (1957), prefaciada por Júlio Gouveia3, diz “embora sejam
nele apenas convidados os jovens à sua leitura, os adultos também podem aproveitar, se a viagem
começa como um conto de carochinha e acaba como uma aventura fantástica”. Um roteiro
ensaístico e descritivo, onde apresenta um estudo dos aspectos geográficos, étnicos, históricos e
culturais dos territórios africanos que tem o português como língua de comunicação;
Os Últimos Dias do Fascismo Português (1959), da editora Liberdade e Cultura. A 1ª
edição publicada em 1959 foi de três mil exemplares e a sua reedição, que parece não ter contado
com o consentimento da autora, ter-se-á destinado (Archer, 1972, p.3)4, “para a contribuição dos
comunistas para não sei que movimento, aí em Portugal”. São apontamentos tomados durante as
audiências do julgamento do Capitão Henrique Galvão, conforme memórias do processo político,
julgado no 1º Tribunal Militar Territorial, (Santa Clara) em Lisboa, em Dezembro de 1952;
África Sem Luz (1962), coletânea de contos e narrativas africanas densas de mistérios e
sortilégios na qual nos dá conta de um mundo poderoso e ingênuo, forte e primitivo;
Brasil, Fronteira da África (1963), em que apresenta aos brasileiros a África de expressão
portuguesa, sobretudo Angola em guerra pela independência do colonialismo salazarista; conclama
ao Brasil para que assuma o papel de “paladino” da Língua Portuguesa, comum aos três países e
impeça o seu aniquilamento como também da cultura portuguesa em Angola.
Um olhar sobre a temática deste livro, estruturado em seis capítulos, verifica-se a apresentação da condição sócio-político-cultural do povo angolano em conflito. Apresentou com base em dados históricos, a outra face do processo de colonização. A partir da vivência da guerra, a
3Júlio Gouveia, Prefácio ao livro de Maria Archer, Terras Onde se Fala Português, 2ª. Ed., São Paulo, Ed. Casa do Estudante do Brasil e Carlos de Assumpção Neves, 1957, p. 17.
4 Excerto da carta enviada ao sobrinho Professor Fernando de Pádua, na referida data.
produtora textual descortinou o panorama de um movimento bélico que ceifou mais de uma centena
de milhar de vidas. A escritora e jornalista portuguesa Maria Archer inseriu na pauta do público leitor algumas reflexões sobre a resistência da África atlântica que se expressa em idioma fraterno,
como atesta o prefácio:
O título deste livro é um brado, uma chamada. “Brasil, fronteira da África” foi publicado para lembrar aos brasileiros essa África que existe, muralhada no mistério e nas distâncias, esplendente nos longes onde nasce o sol, além, na outra margem do mare nostrum Atlântico, de olhos voltados para o Brasil. (p.5)
Trago à presença dos brasileiros, só e somente, a terra e gentes de Angola. Da África de expressão portuguesa é ela a colônia mais ensangüentada e dorida. As suas gentes, em guerra contra o colonialismo salazarista, consideram o Brasil um paradigma de liberdade, uma polarização sócio-política que as fascina. E o Brasil ignora-as. (…) O meu livro pretende ser a ponte que aproxima os povos das margens do Atlântico irmanados pelo sangue bantu. Guardei nele imagens em vias
de se diluírem na efervescência dos dias de hoje. (p.7)
A obra coloca-se como um esforço no sentido de dar visibilidade à condição dos países
africanos de que tem o Português como língua de comunicação, e um lança o apelo ao Brasil, à
manutenção da coesão social, pela solidariedade e a força unificadora da Língua Portuguesa.
A imagem da aproximação das margens do Atlântico é muito rica e fornece campo à
reflexão e o estabelecimento de paralelos entre África e o Brasil, do ponto de vista linguístico, dos
seus espaços socioculturais, da captação das dinâmicas do universo cultural, de seus imaginários
levando-os para a reflexão acerca que o teorizou o crítico brasileiro Benjamin Abdala Jr.5, acerca do “comparatismo da solidariedade”.
O código enunciativo da obra que se coloca como uma contribuição literária e um documento histórico, revela que as circunstâncias do exílio impuseram à escritora viajante e viajada a redefinição e a reconstrução de um conceito de identidade, entre os países que se comunicam
através da língua portuguesa. Na nova visada, ainda que o vínculo com o projeto estético do
passado pudesse ser mais ou menos mantido, a revisão de valores foi inevitável, num processo de
reorientação dos rumos de sua produção criativa, substancialmente, no âmbito do seu eixo temático estilístico, que agora volta-se, com intenso interesse, para a resistência ao regime político vigente em Portugal.
A nova postura adotada, pensada e vivida por Maria Archer, pode ser pressentida no teor
anticolonialista logo no prefácio da obra, onde apela à mobilização dos países e a solidariedade
entre as nações, fundada na íntima conexão dos seus destinos.
A construção da simpatia e solidariedade pelos temas da África, expressa na sua escritura,
5 ABDALA Jr. Benjamin. De Voos e Ilhas – Literatura e Comunitarismos. 2° ed., 2008. ISBN:85-
7480-168-2
constrói-se desde a sua primeira viagem à África, conforme obra publicada no Brasil, em 1963,
onde narra a experiência, na qual se foi formando a atitude de afeição à aquele continente:
No 1º quartel deste século, era eu menina, meu pai foi colocado na agência de um banco em Moçambique. Daí derivou a minha odisséia de africanista. Indo e vindo, passando uns tempos em Portugal e outros em África, foram-se quatorze anos da minha vida na terra tropical, que só reencontrei no Brasil. (p.121)
Pouco a pouco, a experiência compartilhada entre os mundos em que viveu, levou a
escritora e jornalista ao encontro de uma maneira de pensar que tendia a desconstruir os paradigmas
do conhecimento ocidental, num mundo crescente marcado pela visão anti-colonialista. A crítica
tem apontado essa condição de uma forma particular de exílio vivida por muitos intelectuais
contemporâneos, geradora de um pensamento que se esforça por articular mundos e universos
culturais diferentes.
Na outra margem do Atlântico, Maria Archer, na intenção de manifestar o seu descontentamento diante de posições, atitudes e posturas políticas que julgava incorretas, escreveu para alguns jornais, nomeadamente O ESP, Semanário e Portugal Democrático. Nas duas décadas que no Brasil viveu produziu artigos que contribuíram vivamente para a composição do movimento de resistência ao regime conservador e autoritário vigente em Portugal. Nasce dessa iniciativa conjunta com vários exilados portugueses o periódico Portugal Democrático (1955-1974), que pretendia divulgar a situação que se vivia em Portugal, e seria a concretização da aspiração de se constituir como grupo de anti-salazaristas, a partir do exílio.
Neste sentido, o olhar sobre a contribuição de Maria Archer para a imprensa de Língua
Portuguesa durante o período de exílio, além de levar-nos ao encontro com as obras acima
referenciadas colocou-nos frente a um sem número de colaborações que a autora endereçou às
publicações em jornais, sendo delas o conjunto mais representativo aquele que produziu para o
jornal OESP (1955-1957). Evidencia-se, portanto que a vida literária corria paralela à sua atuação no jornalismo.
Deste modo, ao entrar em contato vida e a obra desta mulher exuberante, autodidata, viajante e viajada, uma representante da literatura escrita por mulheres, deparei-me com um fato curioso que corroborou ainda mais a minha reflexão: O fato de, tendo ela nascido no limiar do século XX, e tendo contatado direta ou indiretamente com as correntes de pensamento que influenciaram, ou afetaram de forma intensa o ambiente político cultural português até meados dos anos cinquenta do século passado, e ser, não obstante, pouco estudada pela historiografia literária da Literatura Portuguesa.
Sem enveredar pelos meandros da reflexão sobre o percurso oneroso da mulher que se
quisesse escritora na primeira metade do século XX, reporto-me, a um registro feito por uma das
mentes mais conservadoras e carismáticas do Século XX, peço licença para expor alguns excertos
da Carta às mulheres, do Papa João Paulo II.
Carta às mulheres – Papa João Paulo II 6
Infelizmente, somos herdeiros de uma história com imensos condicionalismos que, em todos os
tempos e latitudes, tornaram difícil o caminho da mulher, ignorada na sua dignidade, deturpada nas
suas prerrogativas, não raro marginalizada e, até mesmo, reduzida à escravidão. Isto impediu-a de
ser profundamente ela mesma e empobreceu a humanidade inteira de autênticas riquezas
espirituais. […]
Assim, o meu “obrigado” às mulheres, converte-se num premente apelo a que, da parte de todos,
particularmente do Estado e das Instituições Internacionais, se faça o que for preciso para devolver
à mulher o pleno respeito da sua dignidade e do seu papel. […]
Não posso deixar de manifestar a minha admiração pelas mulheres de boa vontade que se dedicaram a defender a dignidade da condição feminina, através da conquista de direitos
fundamentais sociais, econômicos e políticos, e assumiram corajosamente tais iniciativas em
épocas em que este seu empenho era considerado um acto de transgressão, um sinal de falta de
feminilidade, uma manifestação de exibicionismo, e talvez, um pecado”
Este evento7 pode ser traduzido também, como um tributo de gratidão e reconhecimento e vem, até certo ponto, colmatar uma falha que pesa sobre o nome da autora, e não merece ser deixada ao abandono dos investigadores, tanto mais que é amplamente reconhecida pelo público-leitor.
6 Excerto extraído do Fórum Mulher, n° 3, Edição das ONG do Conselho Consultivo da CIDM.
7 Vida e Obra de Maria Archer – Uma Mulher da Diáspora foi uma iniciativa da Associação Mulher
Migrante, em parceria com a Fundação INATEL, A Câmara Municipal de Espinho e a Fundação Professor
Fernando de Pádua e realizado em 29 de Março de 2012, quinta-feira, no Teatro da Trindade – Salão Nobre– em Lisboa.
MARIA MANUELA AGUIAR DIAS MOREIRA
E-mail:mariamanuelaaguiar@gmail.com
Formação académica:
Licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra.
Pós-graduada em Direito (Diplôme Supérieur d' Études et de Recherche en Droit) pela Faculdade de Direito e Ciências Económicas do Instituto Católico de Paris.
Bolseira da Fundação Gulbenkian, em Paris (1968/1970), e das Nações Unidas, da OCDE, da OIT, em cursos e estágios realizados em vários países da Europa. (entre 1968/1976)
Actividade Profissional:
Advogada (1967/1972); Assistente do "Centro de Estudos" do Ministério das Corporações e Segurança Social - Direito do Trabalho (1967-1974); Assistente da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Lisboa - Sociologia - (1971/72); Assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra - Direito Civil, tendo regido o curso de "Introdução ao Estudo do Direito", e dado aulas práticas de "Teoria Geral do Direito" (1974/1976); Docente da Universidade Aberta, onde regeu a cadeira de "Políticas e Estratégias para as Comunidades Portuguesa" . Mestrado de relações Interculturais (1990/1993); Assessor do Provedor de Justiça (1976/2002)
Actividade Política:
Secretária de Estado do Trabalho (1978/1979); Secretária de Estado da Emigração e das Comunidades Portuguesas (1980); Idem (1981); Deputada eleita pelo Círculo de Emigração Fora da Europa (1980/1985), em efectividade de funções entre Agosto de 1981 e Junho de 1983; Secretária de Estado da Emigração (1983/1985); Deputada Eleita pelo Círculo da Europa (1985/1987); Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas (1985/1987); Deputada eleita pelo Círculo do Porto (1987/1991); Vice-presidente da Assembleia da República(1987/1991); Presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República (por inerência); Presidente da Comissão Parlamentar da Condição Feminina (1987/1989); Deputada eleita pelo Círculo de Aveiro (1991/1995); Representante de Portugal na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE) e na Assembleia da UEO (1992/2005); Presidente da Sub-Comissão das Migrações da APCE (1994/1995); Presidente da Comissão das Migrações, Refugiados e Demografia da APCE (1995/1997); Vice- Presidente do Grupo Liberal e reformista na Assembleia do Conselho da Europa; Deputada eleita pelo Círculo de Emigração Fora da Europa (1995/1999;1999/2002: 2002/2005); Presidente da Delegação Portuguesa à APCE e UEO (2002/2005); Vice -Presidente da Assembleia da UEO (2002/2005); Vice-Presidente do PPE na APCE; Presidente da Subcomissão para a Igualdade APCE (2004/2005);
Membro do "Gabinete sombra" de José Manuel Durão Barroso - (pelouro das Comunidades Portuguesas (2000/2002).
Membro honorário da Assembleia da UEO e da APCE.
Em 1980, presidiu à Delegação Portuguesa à Meia Década das Nações Unidas para a Igualdade da Mulher (Copenhague).
Em 1985, presidiu â Delegação Portuguesa e foi eleita Vice-Presidente da 2ª Conferência de Ministro do Conselho da Europa para as Migrações (Roma).
Em 1984, presidiu à Delegação Portuguesa à 1ª reunião de Ministros do Conselho da Europa para a Igualdade de Mulheres e Homens (Estrasburgo).
Em 1987, presidiu à Delegação Portuguesa e foi eleita presidente da 3ª Conferência de Ministros do Conselho da Europa para as Migrações (Porto).
Entre 1987 e 1991, foi a primeira mulher a presidir aos plenários da Assembleia da República e a chefiar delegações parlamentares da AR.
Legislação e instituições cuja criação ou reforma impulsionou:
Comissão para a Igualdade no Trabalho e Empresa (CITE), 1979; Instituto de Apoio à Emigração e Comunidades Portuguesas (IAECP), 1980; Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), 1980; Lei da Nacionalidade, 1981; Centro de Estudo do IAECP e "Fundo Documental e Iconográfico das Comunidades Portuguesas" (1984); "Regionalização" do CCP (1984); Comissão Interministerial para as Comunidades Portuguesas (1987). Estatuto de Igualdade de Direitos e Deveres entre Portugueses e Brasileiros (reciprocidade), 1989-2001; Lei da Nacionalidade (recuperação automática), 2004; Direito de voto generalizado nas eleições para o Parlamento Europeu (fora do espaço da UE), 2004.
Participação Associativa
Presidente da Assembleia Geral da Associação "Mulher Migrante".
Membro do Conselho de Curadores da Fundação Luso-Brasileira.
Membro do Conselho de Delegações e Filiais do FCP.
Sócia honorária de várias associações do estrangeiro.
Publicações
Política para a Emigração e as Comunidades Portuguesas (1986); Portugal - País das Migrações sem Fim (1999); Círculo de Emigração (2002); Comunidades Portuguesas - Os Direitos e os Afectos (2005); Migrações - Iniciativas para a Igualdade de Género (2007) coord.; Problemas Sociais da Nova Emigração(2009) coord.; Cidadãs da Diáspora Encontro em Espinho, (2009) coord;
Relatórios apresentados nas Assembleias do Conselho da Europa e UEO ( cuja colectânea aguarda publicação). Artigos publicados em revistas da especialidade sobre Direitos Humanos, Igualdade de Direitos, Direito do Trabalho, Migrações. Colaboração regular em jornais nesses e outros domínios - feminismo, desporto, política, defesa e relações internacionais.
Condecorações
Nacional: Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique
Estrangeiras - Grã Cruz: Ordem do Cruzeiro do Sul, Ordem do Rio Branco (Brasil); Ordem do Império Britânico (Honorary Dame); Ordem de Mérito (Itália); Ordem de Mérito (Alemanha); Ordem de Mérito (Luxemburgo); Ordem de Leopoldo II (Bélgica); Ordem Fénix (Grécia); Ordem Francisco Miranda (Venezuela);
Grande Oficial: Ordem de Mérito (França); Ordem da Estrela Polar (Suécia), entre outras.
maio 04, 2012
José Tavares deve ser considerado um dos maiores pintores de Espinho e
todos ganhamos em o reconhecer - antes de mais a terra a as gentes que
nas telas transformou em obras-mestras.
Não quero com isso dizer que ele não pertença ao património artístico
do País, mas sim realçar a evidência de que o “seu Portugal” começava
nesta cidade de mar e de dura faina da pesca, onde se
aventuram homens de rostos marcados pelo sol e pelo sal das bátegas do Atlântico - um tema recorrente, fonte de inspiração, de emoção estética, e,
também, de solidariedade humana, que emana de muitos dos belíssimos
óleos, aguarelas e desenhos, que nos deixou.
É, a meu ver, sobretudo, um admirável pintor de rostos, porque para
além da perfeição dos traços fisionómicos, sabe transmitir a força
expressiva de sentimentos e vivências, em que o sujeito está de corpo
e alma. É evidente gosto, empatia pelas pessoas que
retrata, a começar pelos mais humildes, os pescadores e as vareiras,
as camponesas, os velhos, os marginais, os deserdados de uma sociedade
dividida entre extremos de privilégios e de carências…
As suas temáticas enriquecem-se nos contrastes, tanto podem
contar histórias de vida, em quadros de um inteiro realismo, como
abrir espaço ao devaneio, à formosura idílica das coisas da natureza e
das criaturas, libertas de amarras e transportadas a um éden de
fantasia. Há nestas, em particular, puros poemas de luz e de cor,
escritos a pincel, como em outras há a denúncia das injustiças e dos
injustiçados - a arte como instrumento de afirmação de convicções, de sensibilidade e consciência social.
Por demasiado tempo José Tavares permaneceu, até para a generalidade
dos seus conterrâneos, um desconhecido, embora muito talentoso,
artista. Talvez por opção própria, por não querer assumir - se como
tal, levado pela simplicidade e discrição, que eram traços bem
atraentes da sua maneira de estar face aos outros. Um homem
extremamente amável e comunicativo, mas avesso a toda e qualquer forma
de ostentação ou exibicionismo. E, por isso, não terá percorrido -
como poderia ter acontecido - , uma trajectória ascensional,
firmada em sucessivas mostras e exposições, pelo País e pelo
estrangeiro, que lhe teria dado visibilidade, êxito material e renome
merecidos. Mas, se não o motivou a vontade de vencer pelo sucesso
nesses domínios, moveu-o, sempre, a vocação, o propósito de procurar nas
Artes Plásticas uma forma de realização, de felicidade, de extroversão
de sentimentos, que está na origem de um legado enorme, qualitativo e
quantitativo, que todavia, permaneceu num círculo reservado de amigos
e admiradores.
A sua aptidão cedo se manifestara, e levara-o a escolher o curso de Belas
Artes, que, porém, não completou, porque teve de procurar numa tipografia industrial, bem cedo, o primeiro emprego. Nesse sector permaneceu sempre e nele veio a estabelecer-se,
mais tarde, como empresário. E, assim, quer através da via profissional, quer pelo
generoso envolvimento na comunidade espinhense, muitos e muito
diversos foram os contributos e trabalhos em que o seu virtuosismo se manifestou -
em capas de livros, em ilustrações, em graciosos desenhos para
crianças, na concepção de cabeçalhos de jornais...
O espólio de José Tavares é, pois, imensamente heterogéneo e
multifacetado - a única constante é a busca
conseguida da harmonia e da beleza em tudo o que saiu de suas mãos.
A pintura, por muitos anos, até que se reformou, ocupava apenas as
horas vagas, mas foi sempre a resposta a um chamamento antigo. Foi, de
facto, o talento, de que fala a parábola, bem multiplicado. Foi a vocação
cumprida.
Sobre esta publicação, iniciativa da família, em especial do filho, Paulo
Tavares, julgo ser devida uma palavra de agradecimento e de apreço
José Tavares é parte da vida de todos os que tiveram a sorte de ser seus amigos.
Mas é, também, como disse, parte da história cultural de Espinho, a
terra onde criou raízes, onde deixou um rasto de humanidade e simpatia,
onde à Arte se dedicou.
E, por isso, é tão importante a recolha e publicitação de uma parte das suas
telas, que se constitui, afinal, no meio de divulgar
obras que estão, na quase totalidade, inacessíveis em colecções particulares, e que apenas numa pequena parte foram objecto de duas exposições promovidas pelo Paulo Tavares e patrocinadas pela Câmara Municipal de Espinho (em 2004 e 2010) .
As imagens aqui reunidas (que são as da primeira daquelas exposições) vão permitir que o Artista surja, assim, aos olhos dos conterrâneos e aos olhos do País, que se valoriza ao valorizá-lo.
Um livro de Arte é sempre um convite a revisitar um mundo, onde sempre podemos descobrir o perene e o novo, num diálogo infindo com o seu criador.
Maria Manuela Aguiar
janeiro 22, 2012
dezembro 26, 2011
JÃO-JÃO - a Gentlecat
Os gatos são como nós - mais ou menos inteligentes, mais ou menos bondosos, mais ou menos aventureiros. Não direi mais ou menos bonitos, porque não há gatos feios!O Jão -Jão aqui está nas imagens, como era na realidade - um pequeno "tigre" com muito bom feitio e muito bom caracter. Acho que dá para perceber na linguagem corporal, no olhar... Era amável, meigo, discreto, "sage", super inteligente... Um só defeito: aventureiro demais - com o vício ancestral de vadiar pelos telhados da vizinhança. Ia de manhã e vinha jantar, e, não sendo um guerreiro, faltando-lhe, em absoluto, o "killer instinct", imagino que terá sido vítima de muito gato mau. Ou de vassouradas de gente medonha. Há cerca de um mês, ficou paralisado. A coluna, como as radiogarfias mostravam, estava em péssimo estado. Prognóstico muito reservado. Mas, contra as expectativas, com enormes doses de medicação estava a melhorar, já andava normalmente pela casa e passeava no jardim. Tinha sempre apetite. Renasceu, entre nós, a esperança na sua cura - eventualmente, sem mais ascensão aos telhados, o que era uma benção.
Da sua morte por doença súbita, nem quero falar. Não consegui salvá-lo!
Os gatos olham-nos como se fossemos Deus, pensam que tudo depende de nós, a comida (certo!), mas também impossível, o sol e a chuva, a saúde e a salvação. Se dependesse de mim este querido "gentlecat" seria eterno. Nenhum outro merecia tanto como ele. "Jão-Jão, o gato todo bom", como eu lhe chamava para marcar a diferença com o irmão gémeo - "Deco, o gato todo mau". (não é propriamente mau, mas porta-se mal...).
Aqui ficam imagens. Um pouco da história de tempos felizes.
dezembro 05, 2011
Que balanço pode ser feito do Encontro Mundial de Mulheres na Diáspora?
Muito positivo! Acho que correspondeu às expectativas, porque conseguimos, colectivamente, não só dar continuidade a uma tradição, já longa, de fazer balanços periódicos do progresso na situação das portuguesas no estrangeiro - e, ao fazê-lo, de contribuir para a aceleração desse progresso (que foi e é o nosso principal objectivo), mas também inovar no enfoque em domínios que nunca tinham sido abordados, pelo menos com semelhante alto grau de prioridade, caso da vertente cultural da própria ideia de cidadania, da escolha das letras e das artes como domínios de afirmação das mulheres da Diáspora. E do desporto também.
Não foi por acaso que Aurora Cunha foi a nossa "convidada de honra", em vez de uma personalidade da área política, como aconteceu nos anteriores Encontros Mundiais. Não foi também por acaso que tivemos, a abrir os trabalhos, uma exposição de pintoras e escultoras de várias nacionalidades, duas outras dedicadas ao movimento feminista da 1ª República e uma sessão evocativa de duas grandes mulheres da Diáspora novecentista - Maria Lamas e Maria Archer, escritoras, jornalistas, senhoras de grande cultura, par de grande coragem e espírito cívico.
Momentos inesquecíveis, momentos de olhar exemplos do passado perfeitamente inspiradores de acção futura. Só depois começamos a ouvir as vozes do presente, algumas delas com histórias tão extraordinárias para contar, ou com análises e reflexões tão pertinentes sobre este novo ciclo, esta nova grande vaga em que se avança a emigração portuguesa. Emigração que, em boa verdade, nunca parou de vez...
Quais as principais conclusões...
Poderemos distinguir entre as conclusões que procuram fazer o diagnóstico de situações e as que definem um conjunto de medidas para promover a maior participação das mulheres nas comunidades do estrangeiro.
A meta da igualdade e da paridade entre mulheres e homens neste contexto, é vista como sendo agora menos utópica, mais factível, pois as migrações femininas assumem características completamente originais, no que respeita à autonomia de decisão, à qualificação profissional e às perspectivas de carreira das suas protagonistas.
É o momento certo para agir e entre agir, com conhecimento das realidades e uma visão sistémica. É importante acompanhar os percursos femininos (coisa sempre bastante descurada...) estuda-los, cuidar da notação estatística, por sexo. Saber... ter consciência das potencialidades, e apoiar a sua materialização. O acento tónico foi colocado, por isso, no esforço de investigação e de informação.
O tradicional associativismo, em que se estruturam dinamicamente as próprias comunidades portuguesas, é o primeiro dos caminhos para a afirmação da cidadania das emigrantes, mas constata-se que a sua ascensão tem sido bem mais fácil nas sociedades de acolhimento do que dentro do seu próprio grupo étnico. Esta denúncia, que vem sendo claramente expressa desde o 1º Encontro em Viana do Castelo, ainda mantém actualidade, um quarto de século depois, e, saliente-se, em prejuízo de todos, porque, como se concluiu, para resistirem ao declínio, para assegurarem a renovação, as colectividades têm de atrair as jovens e os jovens da chamada "nova emigração" e as mulheres, de todas as gerações.
A situação, como foi dito, varia enormemente de comunidade para comunidade. Detectar as boas práticas, divulgá-las, assim como apontar o seu reverso, a ostensiva discriminação das mulheres em muitas direcções associativas é tarefa capital. Mais uma vez se falou da criação de uma espécie de "Observatório", ancorado na informação, focalizando injustiças e anacronismos, que é o meio mais eficaz de alertar para a urgência de mudanças... Este levantamento global de situações no movimento associativo só poderá ser levado a cabo, de uma forma célere e pouco dispendiosa, com base em informações conseguidas através da rede consular. É, assim, uma mera questão de vontade política do governo, que acredito existir, finalmente...
Outro dos sublinhados principais foi a necessidade de suprir o défice de reconhecimento da importância e do próprio volume extraordinário da emigração. O País ainda prefere ver-se como destino de imigração, apesar de o ser menos, e cada vez menos, e negar o fosso que cresce entre os números da emigração, em constante alta e os da imigração, em perda acentuada.
Há que olhar tanto os jovens que partem agora, como as terceiras gerações de luso-descendentes, que mesmo quando parecem perdidas podem ser recuperadas, indo ao seu encontro, falando a sua linguagem.
O estabelecimento de redes, o conhecimento mútuo, a partilha de experiências, exige a continuação do trabalho, ao longo dos próximos anos, tendo como agentes de mobilização, muito dos que participaram no Encontro da Maia. Nestes "fora", que se enquadram na definição de "congressismo", há um "dia seguinte", que é sempre mais importante do que aquilo que neles aconteceu.
E para que a "rede" se propague nos vários continentes, para que a mobilização se faça, em grande escala, em crescendo, é preciso criar plataformas de encontro entre metades divididas, pela distância geográfica, nos mais diversos domínios - cultura, educação, desporto, empreendedorismo, política. Mulheres de dentro e de fora de fronteiras, trabalhando juntas, partilhando iniciativas.
Acredito que já em 2012, terão, igualmente, início alguns dos estudos de que se falou na Maia, no painel de debate das"conclusões", por exemplo, sobre "boas práticas", ou sobre o que a relatora, Drª Maria Amélia Paiva, chamou "feminizar a memória". Um projecto antigo de recolher, de forma sistemática, histórias de vida de mulheres migrantes, encontrou, agora, na Profª Ana Paula Beja Horta e no CEMRI/ Universidade Aberta, uma garantia de suporte científico, que é imprescindível, mas exige também apoios, colaboradores e patrocínios nas próprias comunidades.
A Associação já pensa no próximo Congresso?
Mais genericamente em "congressismo", em "plataformas" para múltiplos encontros, do que no próximo congresso mundial, antes do qual há muito trabalho pela frente.
Estamos, de facto, envolvidos num projecto de sensibilização para a igualdade, para cumprir os propósitos da Resolução nº32/2010, aprovada na Assembleia da República, por proposta do actual Secretário de Estado Dr José Cesário. A "Resolução" é a primeira grande "carta de intenções" para o desenvolvimento de uma política com preocupação de género nas comunidades, em cumprimento do artº 9º da Constituição, que não é de aplicação restrita ao território. Mas a verdade é que, apesar dos ditâmes da Constituição, a prioridade de promover a plena participação das mulheres na vida da emigração é algo de completamente revolucionário, após 5 séculos de quase completa indiferença estatal face à sorte das mulheres migrantes. Tem, assim, um enorme alcance jurídico e democrático. Ou melhor, terá, se passar de letra da lei para a realidade do relacionamento entre as pessoas. É nisso que estamos empenhados (uso o plural no masculino, porque não nos faltam aliados!). Prontos a colaborar com o Governo, com outras ONG's, em especial com pessoas e instituições de cada uma das comunidades, à procura de mais e mais aliados, de boas vontades, de "talentos". Mais do que premiar talentos, aliás, uma boa ideia que vem de trás, interessa descobri-los com o propósito de apelar à sua disponibilidade para darem rosto e trabalho à causa comum de valorizar as suas e nossas comunidades. À disponibilidade das mulheres, nomeadamente!
O primeiro "Encontro" de 2012 está já agendado para 25 de Março, na Califórnia, com organização da Profª Deolinda Adão, uma distinta académica de Berkeley, que é também uma dinâmica mulher de acção. Será em San Jose e não esqueceremos que foi ali bem perto, em Oackland, que as Portuguesas (quase todas das Ilhas dos Açores) lançaram as bases do primeiro associativismo feminino, integrado, desde fins do século XIX no movimento mutualista e fraternal. Ainda hoje continuam na vanguarda, embora as Sociedades Fraternais femininas já não o sejam, exclusivamente, num tempo de paridade, no empreendedorismo e na acção social
Quer por razões históricas e simbólicas, quer por razões muito pragmáticas, San Jose é um excelente ponto de partida (ou de recomeço) de uma ambiciosa campanha cívica, com acento em valores sócio-culturais...
Muito positivo! Acho que correspondeu às expectativas, porque conseguimos, colectivamente, não só dar continuidade a uma tradição, já longa, de fazer balanços periódicos do progresso na situação das portuguesas no estrangeiro - e, ao fazê-lo, de contribuir para a aceleração desse progresso (que foi e é o nosso principal objectivo), mas também inovar no enfoque em domínios que nunca tinham sido abordados, pelo menos com semelhante alto grau de prioridade, caso da vertente cultural da própria ideia de cidadania, da escolha das letras e das artes como domínios de afirmação das mulheres da Diáspora. E do desporto também.
Não foi por acaso que Aurora Cunha foi a nossa "convidada de honra", em vez de uma personalidade da área política, como aconteceu nos anteriores Encontros Mundiais. Não foi também por acaso que tivemos, a abrir os trabalhos, uma exposição de pintoras e escultoras de várias nacionalidades, duas outras dedicadas ao movimento feminista da 1ª República e uma sessão evocativa de duas grandes mulheres da Diáspora novecentista - Maria Lamas e Maria Archer, escritoras, jornalistas, senhoras de grande cultura, par de grande coragem e espírito cívico.
Momentos inesquecíveis, momentos de olhar exemplos do passado perfeitamente inspiradores de acção futura. Só depois começamos a ouvir as vozes do presente, algumas delas com histórias tão extraordinárias para contar, ou com análises e reflexões tão pertinentes sobre este novo ciclo, esta nova grande vaga em que se avança a emigração portuguesa. Emigração que, em boa verdade, nunca parou de vez...
Quais as principais conclusões...
Poderemos distinguir entre as conclusões que procuram fazer o diagnóstico de situações e as que definem um conjunto de medidas para promover a maior participação das mulheres nas comunidades do estrangeiro.
A meta da igualdade e da paridade entre mulheres e homens neste contexto, é vista como sendo agora menos utópica, mais factível, pois as migrações femininas assumem características completamente originais, no que respeita à autonomia de decisão, à qualificação profissional e às perspectivas de carreira das suas protagonistas.
É o momento certo para agir e entre agir, com conhecimento das realidades e uma visão sistémica. É importante acompanhar os percursos femininos (coisa sempre bastante descurada...) estuda-los, cuidar da notação estatística, por sexo. Saber... ter consciência das potencialidades, e apoiar a sua materialização. O acento tónico foi colocado, por isso, no esforço de investigação e de informação.
O tradicional associativismo, em que se estruturam dinamicamente as próprias comunidades portuguesas, é o primeiro dos caminhos para a afirmação da cidadania das emigrantes, mas constata-se que a sua ascensão tem sido bem mais fácil nas sociedades de acolhimento do que dentro do seu próprio grupo étnico. Esta denúncia, que vem sendo claramente expressa desde o 1º Encontro em Viana do Castelo, ainda mantém actualidade, um quarto de século depois, e, saliente-se, em prejuízo de todos, porque, como se concluiu, para resistirem ao declínio, para assegurarem a renovação, as colectividades têm de atrair as jovens e os jovens da chamada "nova emigração" e as mulheres, de todas as gerações.
A situação, como foi dito, varia enormemente de comunidade para comunidade. Detectar as boas práticas, divulgá-las, assim como apontar o seu reverso, a ostensiva discriminação das mulheres em muitas direcções associativas é tarefa capital. Mais uma vez se falou da criação de uma espécie de "Observatório", ancorado na informação, focalizando injustiças e anacronismos, que é o meio mais eficaz de alertar para a urgência de mudanças... Este levantamento global de situações no movimento associativo só poderá ser levado a cabo, de uma forma célere e pouco dispendiosa, com base em informações conseguidas através da rede consular. É, assim, uma mera questão de vontade política do governo, que acredito existir, finalmente...
Outro dos sublinhados principais foi a necessidade de suprir o défice de reconhecimento da importância e do próprio volume extraordinário da emigração. O País ainda prefere ver-se como destino de imigração, apesar de o ser menos, e cada vez menos, e negar o fosso que cresce entre os números da emigração, em constante alta e os da imigração, em perda acentuada.
Há que olhar tanto os jovens que partem agora, como as terceiras gerações de luso-descendentes, que mesmo quando parecem perdidas podem ser recuperadas, indo ao seu encontro, falando a sua linguagem.
O estabelecimento de redes, o conhecimento mútuo, a partilha de experiências, exige a continuação do trabalho, ao longo dos próximos anos, tendo como agentes de mobilização, muito dos que participaram no Encontro da Maia. Nestes "fora", que se enquadram na definição de "congressismo", há um "dia seguinte", que é sempre mais importante do que aquilo que neles aconteceu.
E para que a "rede" se propague nos vários continentes, para que a mobilização se faça, em grande escala, em crescendo, é preciso criar plataformas de encontro entre metades divididas, pela distância geográfica, nos mais diversos domínios - cultura, educação, desporto, empreendedorismo, política. Mulheres de dentro e de fora de fronteiras, trabalhando juntas, partilhando iniciativas.
Acredito que já em 2012, terão, igualmente, início alguns dos estudos de que se falou na Maia, no painel de debate das"conclusões", por exemplo, sobre "boas práticas", ou sobre o que a relatora, Drª Maria Amélia Paiva, chamou "feminizar a memória". Um projecto antigo de recolher, de forma sistemática, histórias de vida de mulheres migrantes, encontrou, agora, na Profª Ana Paula Beja Horta e no CEMRI/ Universidade Aberta, uma garantia de suporte científico, que é imprescindível, mas exige também apoios, colaboradores e patrocínios nas próprias comunidades.
A Associação já pensa no próximo Congresso?
Mais genericamente em "congressismo", em "plataformas" para múltiplos encontros, do que no próximo congresso mundial, antes do qual há muito trabalho pela frente.
Estamos, de facto, envolvidos num projecto de sensibilização para a igualdade, para cumprir os propósitos da Resolução nº32/2010, aprovada na Assembleia da República, por proposta do actual Secretário de Estado Dr José Cesário. A "Resolução" é a primeira grande "carta de intenções" para o desenvolvimento de uma política com preocupação de género nas comunidades, em cumprimento do artº 9º da Constituição, que não é de aplicação restrita ao território. Mas a verdade é que, apesar dos ditâmes da Constituição, a prioridade de promover a plena participação das mulheres na vida da emigração é algo de completamente revolucionário, após 5 séculos de quase completa indiferença estatal face à sorte das mulheres migrantes. Tem, assim, um enorme alcance jurídico e democrático. Ou melhor, terá, se passar de letra da lei para a realidade do relacionamento entre as pessoas. É nisso que estamos empenhados (uso o plural no masculino, porque não nos faltam aliados!). Prontos a colaborar com o Governo, com outras ONG's, em especial com pessoas e instituições de cada uma das comunidades, à procura de mais e mais aliados, de boas vontades, de "talentos". Mais do que premiar talentos, aliás, uma boa ideia que vem de trás, interessa descobri-los com o propósito de apelar à sua disponibilidade para darem rosto e trabalho à causa comum de valorizar as suas e nossas comunidades. À disponibilidade das mulheres, nomeadamente!
O primeiro "Encontro" de 2012 está já agendado para 25 de Março, na Califórnia, com organização da Profª Deolinda Adão, uma distinta académica de Berkeley, que é também uma dinâmica mulher de acção. Será em San Jose e não esqueceremos que foi ali bem perto, em Oackland, que as Portuguesas (quase todas das Ilhas dos Açores) lançaram as bases do primeiro associativismo feminino, integrado, desde fins do século XIX no movimento mutualista e fraternal. Ainda hoje continuam na vanguarda, embora as Sociedades Fraternais femininas já não o sejam, exclusivamente, num tempo de paridade, no empreendedorismo e na acção social
Quer por razões históricas e simbólicas, quer por razões muito pragmáticas, San Jose é um excelente ponto de partida (ou de recomeço) de uma ambiciosa campanha cívica, com acento em valores sócio-culturais...
novembro 24, 2011
HISTÓRIA, MEMÒRIA, DEVIR
MAIA, 25 e 26 de Novembro de 2011
A Associação "MULHER MIGRANTE" volta a organizar um Encontro mundial para debater os problemas que se colocam às mulheres portuguesas no novo contexto migratório do século XXI, e para promover uma maior participação feminina, cívica e política.
Esta iniciativa conta com o incentivo e o apoio da SECP, e constituirá, certamente, um decisivo avanço na afirmação de políticas de emigração com acento nas questões fundamentais da cidadania.
A paridade está há muito conseguida na proporção mulheres/homens na emigração portuguesa. Todavia, não se reflecte ainda no movimento associativo, nos centros de decisão das instituições, na vida pública, na política.
A Assembleia da República na Resolução nº 32/2010 reconhece a necessidade de promover um amplo programa que conduza à plena participação das mulheres na vida das comunidades. Ao Governo incumbe, em primeira linha, a missão de a promover (um dever que, aliás, lhe é expressamente imposto pela Constituição), mas, como na economia da Resolução se realça, melhor atingirá os seus fins se recorrer a parcerias com as organizações da própria sociedade civil.
A "Mulher Migrante", em ligação com outras associações existentes dentro e fora das nossas fronteiras, quer precisamente servir os objectivos daquela Resolução, que são também os seus, colaborando com o Governo do País, como sempre tem procurado fazer.
Os "Encontros para a Cidadania -2005-2009" vieram provar a validade destas formas de cooperação. E as intervenientes dos "Encontros, nos vários continentes do mundo, recomendaram que não se deixasse esmorecer a vontade de manter canais de comunicação e um trabalho continuado, para que se não perca o que está feito ...
E apontavam para a realização de um Congresso Mundial, que pudesse dar uma visão de conjunto da situação das Portuguesas da Diáspora, que é fundamental para saber como agir futuramente, com que meios humanos e materiais, com que solidariedades, mórmente entre as próprias mulheres da Diáspora.
Não foi possível convocar o Congresso Mundial em 2009.
Dois anos depois, a sua organização está em marcha! Aqui fica um primeiro convite à participação de todos os que querem envolver-se nesta causa cívica.
Uma palavra para o Secretário de Estado, Dr José Cesário, para lhe agradecer a forma como acolheu, desde a primeira hora, a nossa proposta.
Estamos em perfeita sintonia - como seria de esperar, pois foi ele, na Assembleia da República, o principal impulsionador da histórica Resolução nº32/2010, à qual a proposta pretende dar execução.
Mas é sempre de sublinhar a atitude dos políticos que, quando chegam ao Governo, não hesitam em dar execução aos projectos que, na oposição, recomendaram vivamente a outros governos. Eis um paradigma de coerência.
MAIA, 25 e 26 de Novembro de 2011
A Associação "MULHER MIGRANTE" volta a organizar um Encontro mundial para debater os problemas que se colocam às mulheres portuguesas no novo contexto migratório do século XXI, e para promover uma maior participação feminina, cívica e política.
Esta iniciativa conta com o incentivo e o apoio da SECP, e constituirá, certamente, um decisivo avanço na afirmação de políticas de emigração com acento nas questões fundamentais da cidadania.
A paridade está há muito conseguida na proporção mulheres/homens na emigração portuguesa. Todavia, não se reflecte ainda no movimento associativo, nos centros de decisão das instituições, na vida pública, na política.
A Assembleia da República na Resolução nº 32/2010 reconhece a necessidade de promover um amplo programa que conduza à plena participação das mulheres na vida das comunidades. Ao Governo incumbe, em primeira linha, a missão de a promover (um dever que, aliás, lhe é expressamente imposto pela Constituição), mas, como na economia da Resolução se realça, melhor atingirá os seus fins se recorrer a parcerias com as organizações da própria sociedade civil.
A "Mulher Migrante", em ligação com outras associações existentes dentro e fora das nossas fronteiras, quer precisamente servir os objectivos daquela Resolução, que são também os seus, colaborando com o Governo do País, como sempre tem procurado fazer.
Os "Encontros para a Cidadania -2005-2009" vieram provar a validade destas formas de cooperação. E as intervenientes dos "Encontros, nos vários continentes do mundo, recomendaram que não se deixasse esmorecer a vontade de manter canais de comunicação e um trabalho continuado, para que se não perca o que está feito ...
E apontavam para a realização de um Congresso Mundial, que pudesse dar uma visão de conjunto da situação das Portuguesas da Diáspora, que é fundamental para saber como agir futuramente, com que meios humanos e materiais, com que solidariedades, mórmente entre as próprias mulheres da Diáspora.
Não foi possível convocar o Congresso Mundial em 2009.
Dois anos depois, a sua organização está em marcha! Aqui fica um primeiro convite à participação de todos os que querem envolver-se nesta causa cívica.
Uma palavra para o Secretário de Estado, Dr José Cesário, para lhe agradecer a forma como acolheu, desde a primeira hora, a nossa proposta.
Estamos em perfeita sintonia - como seria de esperar, pois foi ele, na Assembleia da República, o principal impulsionador da histórica Resolução nº32/2010, à qual a proposta pretende dar execução.
Mas é sempre de sublinhar a atitude dos políticos que, quando chegam ao Governo, não hesitam em dar execução aos projectos que, na oposição, recomendaram vivamente a outros governos. Eis um paradigma de coerência.
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